Arquivo de outubro \09\UTC 2010



Benyamin Nuss Plays Uematsu: quando o prodígio encontra o mestre


Por Alexei Barros

É raro um pianista atuar simultaneamente em orquestras e bandas de jazz. Ainda por cima tão jovem. Quanto mais gamer! Benyamin Nuss é tudo isso com somente 21 anos de idade e logo em seu álbum de estreia homenageia um dos mais afamados compositores de jogos com a missão ambiciosa de introduzir game music aos apreciadores de música erudita.

Filho do trombonista Ludwig Nuss e irmão do pianista Hubert Nuss, ambos compositores e jazzistas internacionalmente conhecidos, Benyamin iniciou o aprendizado de piano com seis anos de idade, e a partir de então iniciou uma trajetória de sucesso sendo agraciado com diversos prêmios, ao mesmo tempo em que buscava se inspirar na técnica e interpretação de pianistas clássicos, como Sviatoslav Richter e Vladimir Horowitz, e na capacidade de improvisação de pianistas jazzísticos, como Chick Corea e Herbie Hancock.

Até aí pouca relação com jogos eletrônicos na música, ainda que tivesse crescido jogando videogames. Foi então que o administrador da WDR Radio Orchestra, Winfried Fechner, conversou com ele sobre o concerto Symphonic Shades, e Benyamin compartilhou a admiração por game music. Dias depois recebeu uma ligação para gravar a “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)”, na versão que acabou registrada no CD por se aproximar do intento original do compositor Chris Huelsbeck. Tratava-se de uma interpretação mais incisiva que a versão suave da “Turrican 3 – Payment Day (Piano Suite)” tocada pelo Jari Salmela na apresentação.

Mais famoso entre os fãs de game music Benyamin ficou no sucessor Symphonic Fantasies em 2009, desta vez participando do espetáculo ao vivo, na suíte de 15 minutos “Fantasy I: Kingdom Hearts”, em que o piano ganhou um destaque especial no arranjo de Jonne Valtonen. Em 2010, no Symphonic Legends, demonstrou incrível entrosamento com o violinista Juraj Cizmarovic na “Donkey Kong Country (Aquatic Ambiance)” arranjada por Masashi Hamauzu, e também tocou no bis “Encore (Currendo. Saltando. Ludendo)”.

A notoriedade na Alemanha também em breve se estenderá ao Japão. Em 30 de outubro o pianista participará do evento Shinzo Kukaigi 5 e nos dias 6 e 7 de novembro do Distant Worlds music from Final Fantasy Returning Home, todos a acontecer em Tóquio, também para promover o lançamento japonês do disco, que se dará dia 27 de outubro. Isso que de setembro a novembro Benyamin Nuss excursiona por diversas cidades da Alemanha e Luxemburgo com performances do álbum de debute.

Publicado pela renomada Deutsche Grammophon (Universal Music), o disco Benyamin Nuss plays Uematsu foi produzido por Thilo Berg, baterista alemão, líder de big bands e administrador do pianista, com consultoria de Thomas Boecker, produtor executivo dos concertos Shades, Fantasies e Legends. São 15 faixas no total, gravadas nos dias 1, 2 e 4 de maio de 2010 no SWR Studio na cidade de Kaiserslautern. A seleção visitou Final Fantasy, Blue Dragon e Lost Odyssey, e contou com arranjadores de renome na game music e fora dela.

Shiro Hamaguchi é o arranjador da Piano Collections Final Fantasy VII, Piano Collections Final Fantasy VIII e Piano Collections Final Fantasy IX, e ficou encarregado de Lost Odyssey. Jonne Valtonen, autor do supramencionado arranjo de Turrican 3, de Blue Dragon. E Final Fantasy foi divido entre os menos versados em game music: Bill Dobbins, jazzista americano que dirigiu a WDR Big Band de 1994 a 2002, Torsten Rasch, alemão modernista que arranjou a ousada “Super Metroid (Suite: Samus Aran – Galactic Warrior)” do Symphonic Legends, e o russo Alexander Rosenblatt, compositor de piano. Para completar, Benyamin Nuss escreveu uma faixa em homenagem a Nobuo Uematsu e vice-versa. O encarte do álbum merece ser elogiado. Traz um breve comentário de Uematsu de cada uma das 15 faixas em japonês, alemão e inglês. Serviço completo.

Uma pena que o “Rad Racer Medley” de 10 minutos e meio de duração não coube no CD, que possui 68 minutos, e está disponível exclusivamente em formato digital na iTunes. Como é um jogo de corrida, proporcionaria variedade à supremacia de RPGs. O sample é promissor, ainda mais sabendo que o medley é arranjado por Francesco Tristano Schlimé, pianista luxemburguês que gosta de experimentações. Não bastasse a restrição, por enquanto, aos residentes na Alemanha por conta da limitação da loja virtual da Apple, o medley não pode ser comprado separadamente. Ou seja, quem adquiriu o álbum físico e quiser comprar a “Rad Racer Medley”, é obrigado a pagar os 9,99 dólares por todas as músicas.

Diante de tudo isso, finalmente os comentários faixa por faixa depois do Hadouken.
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Parafusos galopantes! Robot Unicorn Attack ganha pseudo-sequência Heavy Metal

Por Claudio Prandoni

Olha só, e não é que até webgames de sucesso podem render adaptações e spin-offs variados.

Lembra do mega blaster Robot Unicorn Attack? O treco teve adaptação para iPhone/iPod e nesta última quarta-feira recebeu uma nova versão – ou seria continuação?

Robot Unicorn Attack - Heavy Metal pega a mesmíssima fórmula do original, mas muda toda a temática para uma fantasia do mais puro heavy metal!

No caso, tudo que é sonho vira pesadelo, o mítico equino galopante vira uma versão caveira malvada, estrelas fofuchas viram pentagramas, fadinhas viram morcegos em chamas e até os golfinhos são substituídos por almas penadas. Mais importante ainda: a música Always, do Erasure, é substituída por Battlefield, do Blind Guardian, ícone grão-mor do heavy metal élfico de Lothlorien.

Aliás, lembra que entrevistamos com exclusividade o Scott Stoddard, o cara que criou praticamente sozinho o primeiro Robot Unicorn Attack? Veja lá de novo!

Artwork do dia: Los Super Mineros

Por Claudio Prandoni

Em homenagem aos 33 mineiros latinos resgatados no Chile nesta semana, após meses de um difícil isolamento lá bem pra baixo da terra, uma singela montagem gamer – desta conta aqui do Twitpic.

Aliás, parece que o apelido de um dos mineiros era mesmo Super Mario!

“Super Mario Medley” – Super Mario Bros. (Nagaoka Junior High School Wind Orchestra @ Nagaokakyo Kinen Bunka Kaikan)

Por Alexei Barros

De novo Super Mario Bros.? Não tenho nada contra em mostrar performances amadoras do jogo, desde que sejam criativas e não se limitem a imitar o que milhares de pessoas já fizeram igual. Como foi o caso da Ensemble Game Classica. E como é o caso da Nagaoka Junior High School Wind Orchestra.

Pelo que vejo no YouTube, esse tipo de big band de estudantes é muito comum no Japão. Você deve ter torcido o nariz quando passou pelas palavras “junior” e “estudantes”, o que resulta em desafinações e erros tão comuns quando se está em fase de treinamento. Não os nipônicos! Se algum dos integrantes dessa banda de sopro tiver mais que 16 anos é muito.

A seleção de músicas é enfocada somente no primeiro Super Mario Bros., mas a forma com que as faixas foram apresentadas é de provocar arrepios de nostalgia mesmo as melodias sendo tão conhecidas.

“Course Clear” abre o medley de forma grandiosa, e a “Overworld” ganha um novo sentido com o acompanhamento da bateria (quantos anos deve ter a baterista?) e de outros instrumentos de percussão. O mesmo vale para a “Underworld”. Daí chegamos ao ápice, quando é tocada a “Invincible”: as flautas simulam as coletas de moeda em rápida velocidade. Fantástico! “Underwater” é executada como uma valsa fazendo justiça à original. A fanfarra “World Clear” anuncia a vitória, e a “Ending” é lembrada maravilhosamente, encerrando com a “Game Over”.

Não bastasse a miscelânea ter sido tocada magnificamente, os infantes japoneses ainda mostram sincronia com o simples ato de abaixar e levantar os instrumentos para o momento de tocar como os trompetistas mostram, e ainda por cima fazem coreografia em alguns momentos, como na “Underwater”, para não esquecer de detalhes, como o som de 1up. Nesse tipo de apresentação conta muito o visual, aliás. Sorte de quem esteve recentemente, dia 23 de setembro de 2010, no Nagaokakyo Kinen Bunka Kaikan em Quioto, a exemplo do cabeçudo que atrapalhou a gravação da câmera.

- “Super Mario Medley”
“Course Clear” ~ “Overworld” ~ “Underworld” ~ “Invincible” ~ “Underwater” ~ “World Clear” ~ “Ending” ~ “Game Over”

A verdadeira estreia ao vivo (ou não) da Earthbound Papas


Por Alexei Barros

Antes havia dito que o debute em performances ao vivo da banda sucessora do The Black Mages aconteceria dia 30 de outubro no evento Shinzo Kukaigi 5, com participações dos pianistas Keita Egusa e Benyamin Nuss. Não exatamente…

Na segunda-feira 11 de outubro ocorreu um show similar, praticamente uma prévia da vindoura apresentação. Intitulado Nobuo Uematsu & The Dog Ears, trouxe as atrações Keita Egusa, o quarteto de violoncelos Cellythm e, mais importante, a Earthbound Papas. Ainda é desconhecido se serão os integrantes fixos da banda, mas pelo menos foi possível saber quem tocou.

Nada mais é do que praticamente meio Black Mages: saíram Tsuyoshi Sekito (guitarra), Kenichiro Fukui (teclado) – que considerava os principais cérebros do grupo e mais capacitados arranjadores – e Keiji Kawamori (baixo), e ainda permanecem Michio Okamiya (guitarra) e Arata Hanyuda (bateria). As novidades são Tsutomu Narita (teclado e guitarra), arranjador das trilhas do anime Guin Saga e do Final Fantasy XIV, e Yoshitaka Hirota (baixo), um dos compositores de Donkey Kong Jungle Climber e da série Shadow Hearts. Reitero: não estão confirmados como integrantes ainda. O que pode ser um indício de que não são membros definitivos é que eles não foram apresentados como costuma acontecer nos shows; os nomes vieram à tona somente pela observação do autor do relato no Nonsense Zone.

Um minicoral com quatro integrantes fez se necessário para acompanhar a banda pelas faixas executadas: “Liberi Fatali” (Final Fantasy VIII) – em arranjo inédito; música que nunca foi arranjada pelos Black Mages –, “Advent: One-Winged Angel” (Final Fantasy VII: Advent Children), “Grand Opening – The Thread of Fate” (Guin Saga), “Eternity” (Blue Dragon) e a música-tema do evento. Mais promissora é a informação de que a Earthbound Papas está preparando um álbum. E, pelo jeito, as releituras da banda não ficarão cerceadas à série Final Fantasy.

Altamente agradecido ao Fabão pelas informações e tradução.

[via Nonsense Zone]

“Top Gear Piano Medley” – Top Gear (VGL 2010 em São Paulo)

Por Alexei Barros

Além de Street Fighter II e Portal, houve um terceiro número do Video Games Live que estreou em solo brasileiro desta vez interpretado por Martin Leung no piano: Top Gear! Permita-me questionar: Top Gear?

De acordo com Tommy Tallarico, trata-se de um jogo requisitado pelo público nas apresentações por aqui desde a primeira visita em 2006 e que só é popular no Brasil. Confere. Pelo que acompanho nos fóruns estrangeiros de game music é mesmo. Sinceramente, não sei por que acontece tal fenômeno.

Meu questionamento se deve por ser uma série que estacionou há tantos anos e de produtora não muito conhecida, Kemco. Além disso, a trilogia 16-bits é toda exclusiva do Super Nintendo, com exceção do Top Gear 2, ao passo que o Mega Drive fez notoriamente mais sucesso aqui do que em outros tantos países já visitados pelo VGL, o que poderia explicar a disparidade de fama no Brasil comparado com o resto do mundo. Evidente que a trilha tem os seus méritos. Contudo, falando por mim, guardo com muito mais nostalgia as músicas de F-Zero e OutRun entre os jogos de corrida dessa época.

Mais interessante é que a melodia do Top Gear que faz multidões cantarolarem é de um compositor menos famoso, Barry Leitch, que possui mais de 240 jogos no currículo, muitos para Commodore 64 e Amiga, plataformas de pouca visibilidade no Brasil. Para completar, a famosíssima “Title” não foi originalmente composta para Top Gear. Na realidade, é uma versão modificada da “Ending” do Lotus Turbo Challenge 2 do Amiga, que faz proveito dos seis canais de áudio do SNES – o computador amigável possui quatro.

Não valeria a pena no ponto de vista do VGL arranjar um segmento para orquestra que se justificaria ser executado somente no Brasil. E outra: é o tipo de composição acelerada complicadíssima de ser orquestrada. O arranjo para piano parece uma saída fácil, mas justificável porque a faixa combina com o instrumento. Melhor ainda, não foi uma performance que serviu somente para Martin Leung mostrar sua habilidade virtuosística (para isso existe Mario), e sim para mostrar uma releitura com mais substância, com variações dos temas da tela-título e “Las Vegas” que compartilham a mesma introdução, difícil de ser tocada e que foi muito bem interpretada. Sem o telão exibindo as cenas do jogo, a reação do público foi acalorada em alguns momentos, porém silenciosa na maior parte do tempo.

- “Top Gear Medley”
“Title” ~ “Las Vegas”

“Still Alive” – Portal (Games in Concert 3)


Por Alexei Barros

No final do ano passado, apresentei uma sequência de posts com performances da ilustre série holandesa Games in Concert que podem ser conferidos na categoria ali à direita. Havia descoberto que alguns segmentos chegaram a ser transmitidos na NCRV Radio com qualidade de gravação perfeita, e as consegui graças aos solidários internautas dos Países Baixos. Mas não cheguei a publicar todas na ocasião…

Então você me pergunta:

- “Você não seria capaz de guardar uma gravação e mostrá-la quase um ano depois apenas para poder compará-la com outra performance e escancarar a diferença de qualidade, seria?”

Sim, fui. Porque se publicasse antes poucos se dariam ao trabalho de rever. Sabendo pelo site oficial que o VGL incluiria a música, aguardei pacientemente a estreia para enfim compartilhar uma das pedras preciosas do mundo dos concertos de games. A “Still Alive” do Games in Concert 3, que ficou UM POUCO melhor. Não podia ser diferente e levantei a placa: “eu já sabia”. A apresentação realizada em 2008 foi a primeira que executou a canção, sendo sucedida pela “Still Alive” traduzida em japonês e tocada no Press Start 2009 em uma versão que a maioria de quem assistiu ao vivo considerou odiosa.

Aqui, todavia, não está fiel à original. Está muito melhor! A vocalista de cabelos vermelhos Roos Rebergen da banda holandesa Roosbeef é quem canta de maneira despojada. Mais uma vez é a genial Metropole Orchestra que torna tudo mais espetacular, interpretando o arranjo magistral – suponho que seja o Martin Fondse, o responsável pela surpreendente versão da “Today” (Burnout Revenge).

Não há violão como na original, mas a introdução foi adaptada perfeitamente para o piano. O acompanhamento essencial da bateria e do baixo elétrico está presente, bem como as intervenções poderosas da guitarra. O que revolucionou tudo foi a implementação dos metais, conferindo uma pitada jazzística soberba. Não acredita que é para tanto? Espere até pelo choque quando entrarem os trompetes, trombones e saxofones no momento em que for entoado pela primeira vez “Still Alive”.

Mais do que nunca vale elogiar a ousadia do Games in Concert por incluir no programa uma música pop, estilo que não costuma figurar nos concertos de games, quanto mais com o mesmo profissionalismo e competência – a não ser mais notoriamente pelas canções de Final Fantasy nos espetáculos da série, com a ressalva de que sempre foram executadas sem acompanhamento de banda presentes nas trilhas originais.

Confira de uma vez por todas, lembrando que está na qualidade da transmissão do rádio:

- “Still Alive” (Portal, Games in Concert 3)

“Still Alive” – Portal (VGL 2010 em São Paulo)

Por Alexei Barros

Quem imaginaria que além dos segmentos mais relacionados ao público brasileiro também aconteceria aqui a estreia mundial no set list do Video Games Live da aclamada “Still Alive” do Portal? Até que enfim eu diria. O título estava na lista da seção What is VGL? no site oficial há um tempão, mas não tocavam de jeito nenhum mesmo nas apresentações mais importantes.

Antes do debute, Portal foi prometido diversas vezes e sempre quando questionado a respeito foi mostrada hesitação. Em um show realizado em Chicago em 2008, Tommy Tallarico disse antes da apresentação da banda Spoony Bards da “Still Alive” que por ter uma cantora e não ser uma música sinfônica era difícil de implementá-la no VGL. Em julho de 2009, em entrevista ao RealMedia Networks, Tallarico parecia ter mudado de ideia e afirmou: “…nós também estamos fazendo um arranjo orquestrado da “Still Alive” de Portal, com coral, com cantora, com um monte de coisas”.

Tudo para quê? Para a canção estrear em outubro de 2010 com voz e violão. Era fim de show e fim de feira, já que não há guitarra, baixo e bateria como na original, levando em consideração que a intenção do VGL é imitar ao máximo as músicas do jogo. O que aconteceu com o arranjo orquestrado? É o que gostaria de saber. E com o coral? É o próprio público, graças à letra exibida no telão. E a cantora? É a Laurie Robinson, mesmo ela não sendo uma cantora pop como pede a música, mas erudita (seria para imitar a cantora de ópera Ellen McLain da original?), a exemplo de todos os outros números que participou nos shows em São Paulo e no Rio de Janeiro: Assassin’s Creed II, Advent Rising e God of War. Mal deu para ouvir a voz e avaliar a interpretação. O que importa? O público saiu feliz com a surpresa da versão acústica e a festança.

“Street Fighter II Medley” – Street Fighter II (VGL 2010 em São Paulo)

Por Alexei Barros

Desde anos atrás mostrei muitas vezes o meu anseio para que as músicas do Street Fighter II, fortemente nostálgicas e poderosas, fossem orquestradas. Vontade que, claro, foi compartilhada por tantos nos comentários dada a supremacia do jogo.

Imaginei que isso viria a acontecer em um concerto nipônico, mas fico com a impressão de que as músicas não são tão populares ainda hoje no Japão como aqui porque são raros os álbuns doujin ou performances amadoras. No hype em efervescência do começo da década de 1990, todavia, foram lançados dezenas de álbuns arranjados e não houve uma apresentação do Game Music Festival com a Alph Lyla, a banda da Capcom, sem que fosse tocada uma música do Street Fighter II.

Atendendo aos diversos pedidos pós-show e nos fóruns, Tommy Tallarico reservou para a turnê brasileira de 2010 a estreia mundial do segmento de SFII do Video Games Live. Quem diria que um dia isso viria a acontecer, hein? Como dito antes, a única vez em que ocorreu um debute do VGL nestas bandas subdesenvolvidas foi a “Liberi Fatali”, tocada no Rio de Janeiro em 2006.

Dada a qualidade bisonha de alguns arranjos recentes, com recortes toscos e colagens sem critério, não demonstrei a menor empolgação quando soube da novidade, embora não deixasse de ter certa curiosidade. Não é que fui surpreendido?

A seleção de músicas me agradou, com os temas dos personagens mais representativos: Guile, Ryu e Ken, respectivamente. Entretanto, fez falta a “Title” (perfeita para começar um medley), ainda mais que o vídeo no telão começa com a cena de abertura. As transições entre as faixas são certinhas, e detalhe que o tema do Ryu é inspirado (para não dizer copiado) na “Hearts Of Fire ~Ryu Stage~” do álbum Street Fighter II Alph Lyla with Yuji Toriyama, uma versão mais vagarosa e emotiva que, apesar de apreciar, quase me fez ser apedrejado em certa oportunidade.

Verdade que a guitarra combina com as músicas, mas como o “Mega Man 2 & 3 Medley”, o instrumento é usado como muleta para a orquestração pobre, ainda que pareça apresentar alguns bons momentos no vídeo. Só que é difícil de tirar uma conclusão. Ainda queria ver o vídeo da performance em outro país. Você sabe, o público brasileiro no VGL é extremamente silencioso, reservado e comportado… até parece.

A baderna generalizada da plateia extrapolou todos os limites de algazarra, provavelmente para extravasar o longo caminho percorrido que se fez necessário até chegar aos recônditos confins da Terra, no antro mais conhecido como HSBC Brasil, numa sexta-feira véspera de feriado, à noite. Desculpe se você se empolgou lá e lê aqui, mas o público chegou ao cúmulo de torcer alucinadamente para o Blanka vencer a luta no telão e bradar para o Ryu soltar um hadouken. Será que haveria tais escândalos sem imagens do jogo e sem o reforço de áudio do além?

Quanto ao comportamento do apresentador na performance da guitarra, é por essas e outras que o show deveria se chamar “Tommy Tallarico Live”.

-“Street Fighter II Medley”
“Guile Stage” ~ “Ryu Stage” ~ “Ken Stage”

Symphonic Legends: o melhor presente de aniversário para uma produtora lendária


Por Alexei Barros

A Nintendo é paradoxal. Ao mesmo tempo em que a abrangência se manifesta ao atingir novos horizontes nesta geração com o Nintendo Wii, a restrição com as músicas é imensa. Por conta da baixa vendagem dos álbuns nos últimos anos, os lançamentos das trilhas originais são escassos e das arranjadas inexistentes. Quando ocorrem, visam a promover o jogo, não as composições, como os CDs promocionais da Club Nintendo. Se um concerto obtém a licença para executar faixas de direitos autorais da produtora e cria novos arranjos, a performance não pode acontecer sem prévia aprovação das partituras. Tal cuidado se justifica pela supremacia das franquias da Nintendo, é claro, e pelo que as trilhas representam no imaginário gamer, com melodias incrustadas na memória graças ao vasto repertório musical criado por muitos compositores geniais em quase 30 anos.

A Nintendo foi introduzida aos concertos na série Orchestral Game Concert (1991-1995), citada tantas vezes por aqui não por acaso, porque exerce influência até hoje. Os tempos eram outros, e as cinco apresentações foram publicadas em CD. Depois disso, arranjos inéditos surgiram com maior visibilidade nas séries Symphonic Game Music Concert (2003-2007) e Press Start (de 2006 em diante), a primeira sem álbuns oficias e a outra sem nada da Nintendo no primeiro disco, Press Start The 5th Anniversary. Fora esses, alguns casos raros no Games in Concert e PLAY! A Video Game Symphony. A única iniciativa recente que gerou um álbum foi o Dairantou Smash Brothers DX Orchestra Concert (2002), concerto com músicas orquestradas do Super Smash Bros. Melee, ou seja, com muitas franquias da produtora.

Toda esta introdução para dizer que: sendo a Nintendo tão restrita e as músicas tão raras em apresentações, parece uma lenda que uma récita caprichada como o Symphonic Legends – music from Nintendo tenha ficado à livre apreciação no dia 23 de setembro de 2010, data em que a produtora completou 121 anos de fundação. E que presente de aniversário!

Ainda sem nome e nem temática, o concerto foi anunciado previamente em 24 de setembro de 2009 para exatamente um ano depois, graças à excelente recepção do Symphonic Fantasies. A data foi antecipada para o dia 23 de setembro, e o nome revelado: Symphonic Legends. Em março deste ano ocorreu a confirmação de que a Nintendo seria a homenageada. Detalhe: antes que as pessoas soubessem disso, 90% dos ingressos estavam esgotados. Posteriormente, foi comunicado que o formato seria uma mescla das inovações implementadas pelos concertos antecessores, trazendo arranjadores convidados de primeiríssimo nível, para mais tarde sabermos que jogo cada um foi incumbido.

Dois japoneses, dois alemães, dois finlandeses. Compositor de trilhas de animes como One Piece e Ah! My Goddess, Shiro Hamaguchi é conhecido nos videogames pelos principais arranjos de Final Fantasy nos concertos recentes da série. Hayato Matsuo, um dos discípulos de Koichi Sugiyama e compositor de Ogre Battle, orquestrou os temas de abertura e encerramento de Final Fantasy XII, entre outros arranjos, como do Shenmue Orchestra Version. Ambos do estúdio Imagine, recentemente participaram do Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert e do A Night in Fantasia 2009.

Nascido em Munique, Masashi Hamauzu, compositor de jogos como Unlimited SaGa, Sigma Harmonics e Final Fantasy XIII, foi a maior surpresa entre os convidados, já que é raro vê-lo arranjar músicas que não são de autoria dele, e quando aconteceram foram para solos de piano, não orquestrados. Também da Alemanha, mas da cidade de Dresden, Torsten Rasch é um compositor de música erudita contemporânea que morou 15 anos no Japão criando trilhas de filmes. No mundo dos games, fez um arranjo para o obscuro álbum Psychic Detective Series – The Best (1991) e mais recentemente a releitura para piano da “A Place to Call Home” do Benyamin Nuss Plays Uematsu.

Da Finlândia, Jonne Valtonen, o principal arranjador do Symphonic Shades e Symphonic Fantasies, desta vez dedicou-se exclusivamente ao poema sinfônico de Zelda. Por último, o conterrâneo Roger Wanamo, o mais jovem dos seis, tendo nascido em 1981, que foi quem mais me impressionou. Sua inventividade pôde ser mostrada já na “Fantasy III: Chrono Trigger/Chrono Cross”, em que foi coarranjador, com o uso constante de polifonias, transições fluidas e minúcias que exigem muita atenção para serem percebidas. Desta vez, Wanamo se superou com os dois segmentos de Mario, o que não é pouca coisa pelas composições serem do Koji Kondo, e pelo Encore, que é um emaranhado de faixas de diversos jogos da Nintendo.

Arranjadores de grande envergadura pedem por intérpretes igualmente competentes. O maestro sueco Niklas Willén conduziu mais de 125 pessoas: cerca de 80 integrantes da WDR Radio Orchestra, e mais 45 do coral State Choir Latvija. Como de praxe, Benyamin Nuss no piano e Rony Barrak na percussão foram os instrumentistas-solo. Diferentemente dos anos anteriores, não houve convidados japoneses para autógrafos, não que isso faça muita diferença para quem não esteve no Cologne Philharmonic Hall.

A ideia do produtor Thomas Boecker era apresentar as músicas da Nintendo com arranjos criativos. Para tal, foi dada total liberdade aos arranjadores. “É interessante ver como eles usaram essa liberdade. Porque há um momento em que é melhor trabalhar de maneira fiel à música original, e há um momento em que você pode introduzir diversas ideias próprias”, afirmou ao SEMO. Sou favorável à iniciativa de arranjos orquestrados que tragam uma nova ideia, desde que as músicas ainda possam ser reconhecidas. E isso aconteceu? É o que veremos adiante.

Antes de comentar individualmente segmento, vale destacar a escolha de jogos do repertório. Levando em conta que o Press Start é o único na atualidade a tocar arranjos novos da Nintendo, o programa do Symphonic Legends é uma benção pelas novidades, visto que Star Fox, F-Zero, Pikmin, Donkey Kong e Metroid jamais foram executados na série japonesa (Star Fox não em um segmento exclusivo). Há quem tenha sentido falta de outras franquias, como Fire Emblem, Mother, Kirby e Pokémon. Além de serem necessárias mais algumas horas de apresentação para poder incluir tudo, nem todas são populares na Europa, leve isso em conta. Dentre as ausências, só lamentei que Hirokazu Tanaka não fora representado pela importância que tem na história musical da Nintendo, ainda que a maioria dos jogos 8-bits seja difícil de imaginar com um número próprio.

Infelizmente, o streaming de vídeo não funcionou na hora do concerto conforme prometido anteriormente, e acabou restrito aos residentes na Alemanha. Mas todo o espetáculo pôde ser conferido de qualquer parte do mundo pelo rádio ao vivo, o que me trouxe boas lembranças do Symphonic Shades em 2008. Poucas horas depois sete dos dez segmentos podiam (e ainda podem) ser vistos no YouTube.

Depois do Hadouken muito mais sobre o Symphonic Legends, com links para os vídeos do YouTube e do Goear (a referência para quando mencionar a numeração de trechos específicos). Sobre o poema sinfônico do Zelda, ficarei devendo as faixas originais detalhadas (algumas foram citadas no texto), já que há muitos temas sobrepostos e variações, o que dificultou a listagem precisa.
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  • @thalesnm Gostei! Tenho mais vontade de jogar que o RE5 (que nem joguei ainda =(). Espero que tenha algum puzzle em meio àquela ação toda... 1 day ago
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