Akumajo Dracula Best Music Collections BOX: incompleto, anônimo e com boas surpresas


Por Alexei Barros

Semanas atrás foi lançado o esperado Akumajo Dracula Best Music Collections BOX. Mais do que no aguardo das músicas, estava na esperança de que o encarte matasse todas as charadas dos nomes dos compositores obscuros, assim como aconteceu com as coletâneas recentes da Wave Master. Não foi dessa vez. Jigokuguruma Nakamura, akiropito, Sanoppi, S. Terashima, H. Funauchi e outros nomes bizarros e incompletos que apareceram nos créditos dos jogos – leia aqui as transcrições – e nos encartes das trilhas passadas permanecem sob sigilo porque não há nenhuma informação sobre isso. Os únicos nomes mostrados dizem respeito ao 18º CD, com arranjos e composições originais que abordarei mais adiante.

Houve uma alteração no conteúdo dos discos 4 e 5 desde a última oportunidade em que falei da caixa. O quarto CD traria as faixas do Akumajo Dracula X: Chi no Rondo (PC-Engine) e Akumajo Dracula (X68000). As músicas deste último foram excluídas do pacote – seria redundante por causa do remake Castlevania Chronicles (PlayStation), que se encontra no 8º CD. No lugar do jogo do X68000 entrou o Castlevania Bloodlines (Mega Drive), que era do 5º disco, abrindo o espaço neste CD para o Kid Dracula (Game Boy).

Para resumir:

Antes:
CD 04 – Akumajo Dracula (X68000), Castlevania: Rondo of Blood (PC-Engine)
CD 05 – Castlevania: Bloodlines (Mega Drive), Castlevania Legends (Game Boy)

Depois:
CD 04 – Akumajo Dracula X: Chi no Rondo (PC-Engine), Castlevania Bloodlines (Mega Drive)
CD 05 – Castlevania Legends (Game Boy), Kid Dracula (Game Boy)

Além disso, daqueles jogos já confirmados, nota-se a eliminação da “I Am the Wind” (Castlevania: Symphony of the Night), provavelmente a canção de estilo mais destoante das tradições da série. Tem cara de Metal Gear. Coincidência que a Rika Muranaka, da “The Best is Yet to Come”, esteja envolvida na composição (função dividida com Tony Haynes e Jeff Lorber), e a cantora seja a Cynthia Harrell, a mesma da “Snake Eater”?

Também se manteve a decisão de não incluir as músicas do Castlevania: The Adventure ReBirth, remake do Castlevania: The Adventure (Game Boy) para Wii, e do Pachislot Akumajo Dracula – aliás, a “trezier de spirit ~Big Bonus~” é surpreendentemente boa –, imagino porque as trilhas foram lançadas recentemente. Faltou coisa velha também. A mais sentida de todas, do Castlevania: Dracula X (SNES), jogo que é uma adaptação bastante modificada do Akumajo Dracula X: Chi no Rondo (PC Engine). Estranha também a ausência do Castlevania: Legacy of Darkness (Nintendo 64). Se cavoucarmos mais, percebem-se as ausências de Castlevania II: Simon’s Quest na versão de NES. O box contém somente as músicas do Famicom Disk System, que soam diferentes. Compare, por exemplo, a “Bloody Tears” japonesa com a “Bloody Tears” americana. O mesmo vale para o Akumajo Special: Boku Dracula-kun na versão do Game Boy, visto que a caixa possui as faixas do NES. Não dá para entender muito bem tais lacunas, isso falando apenas das trilhas originais, porque quem faz 18 CDs pode pensar em 19, 20… parece até medo de ombrear ou superar o SaGa Series 20th Anniversary Original Soundtrack -PREMIUM BOX-.

Em compensação, Vampire Killer (MSX2), Castlevania Legends (Game Boy) e as faixas adicionais do Castlevania: Symphony of the Night na conversão para Sega Saturn jamais foram lançadas antes. Ainda que a Konami não tenha comentado, é o que aconteceu também com Akumajo Dracula: The Medal e Akumajo Dracula: The Arcade – a maior surpresa –, que estão no 17º CD. Acredito que a trilha só não foi lançada antes porque o jogo de pistola de luz saiu no Japão em outubro de 2009. Merecia, há arranjos excepcionais com a inserção de órgão, guitarra e coral em temas antigos. Trabalho da desconhecida dupla Masayuki Maruyama e Goh Fujiwara. Clássicos como “Beginning ~STAGE3 BOSS~” (Castlevania III), “Wicked Child ~STAGE4~” (Castlevania II) e “Simon’s Theme ~STAGE5~” (Super Castlevania IV) ficaram assombrosos com os elementos que mencionei. Outras sobressaem ainda mais, como “Cross Your Heart ~STAGE4 BOSS~” (Haunted Castle), “Illusionary Dance Music ~LAST BOSS#1~” (Akumajo Dracula X: Chi no Rondo) e a espantosa “Black Night ~LAST BOSS#2~” (Castlevania).

Gostaria de dar total destaque para o 18º CD, intitulado Michiru Yamane Autobiographical Music, quase como uma autohomenagem à compositora que mais se notabilizou da série, e se deu ao direito de inserir duas músicas originais. Por ser um disco bastante eclético (arrisco dizer que até demais), comentarei sobre as nove faixas. Fico com a impressão de que mais parece um teste para um hipotético álbum arranjado, dependendo de qual os fãs gostarem mais.

01 – “Ballad for a Gorgeous Heroine” (original)

Suave, quase romântica, dominada pelo solo de piano com toques de jazz, em acompanhamento das cordas – de verdade, como não me deixam mentir os créditos dos instrumentistas no encarte. Cairia bem como um tema de encerramento.

02 – “Cross of Fate” (Castlevania: Aria of Sorrow)
Original: “Ruined Castle Corridor”

Música que ensaia um hard rock à la Black Mages centrado nas guitarras, com um vocal preguiçoso do cantor Satoshi Yamada. Mal aprecio as arranjos com voz de temas originalmente instrumentais, e esta aqui não ajudou a melhorar a situação. Nada memorável e, por que não, dispensável.

03 – “Tachismystic Construction ~Beginning~” (Castlevania III: Dracula’s Curse)
Original: “Beginning”

Aqui é onde o show começa de verdade, com a participação da banda de jazz doujin Informel 8, que nunca tinha ouvido falar. A entrada suave do trompete, bateria e saxofone, com um interlúdio pianístico, é apenas o aquecimento para o deleite jazzístico que se inicia em 3:25. Como apreciador do gênero, mais até das variantes e fusões, fiquei embevecido, mas compreendo que não agradará quem é mais intolerante para improvisações, como a faixa se estende por 9 minutos.

04 – “Pearl Dance” (Castlevania: Symphony of the Night)
Original: “Pearl Dance”

Lembra que foi comentado que a Yamane faria um arranjo exclusivo para o Castlevania the Concert? Não sei se o que veio antes, mas é a mesma releitura daquela “Pearl Dance” (a.k.a. Dance of Pales) executada na Suécia. Só não entendo o motivo para a faixa ser sintetizada aqui, ainda que alguns músicos tenham sido contratados para tocar a primeira faixa. Por isso, é mais uma atualização daquela valsa encantadora.

05 – “The Vampire’s Stomach” (Castlevania: Bloodlines)
Original: “The Vampire’s Stomach”

Não sei se é culpa da instrumentação sintetizada ou do arranjo pouco criativo da parte eletrônica, mas é muito genérico, desses que se encontra no OCRemix sem garimpar muito. Tem cinco minutos de duração e se contasse com a metade disso não faria a menor diferença, ou, ao menos, nos pouparia de uma versão tão meia-boca.

06 – “Fumigation Refuge” (Castlevania: Order of Ecclesia)
Original: “Fumigation Refuge”

Não obstante a extensa discografia da série, jamais existiu uma coletânea oficial com arranjos para piano – no ramo amador teve o Daniel Brown’s Castlevania. Em uma oportunidade apropriada, de uma música da fase recente da série, enfim nasce uma releitura simples, sem grandes floreios ou interpretação magistral. Apenas competente.

07 – “Moon Legend” (original)

Quando a Yamane disse em entrevista que havia criado um hip hop, logo fiquei com receio, porque não consigo estabelecer uma relação do estilo com a série. Quanto mais misturada com uma introdução no cravo que lembra o período barroco. Isso já é o bastante para você não querer nem se arriscar a ouvir semelhante bizarrice cantada pela Yoko Aramaki, nome recorrente em álbuns da Bemani, a divisão de jogos musicais da Konami.

08 – “Metamorphosis ~Vampire Killer~” (Castlevania)
Original: “Vampire Killer”

Com mais uma música revisitada pela Informel 8, já começo a vislumbrar um Castlevania Meets Jazz – é muito claro que os temas da série combinam maravilhosamente com o estilo, apesar de nunca ter sido feito nada parecido antes. No caso desta, é uma releitura agradibilíssima em que os instrumentistas mais uma vez mostram talento nos solos.

09 – “Requiem for the Nameless Souls” (Castlevania: Bloodlines)
Original: “Requiem for the Nameless Victims”

Com parte dos instrumentistas da primeira faixa, há um despejar de notas do piano na companhia de uma voz… da própria Michiru Yamane! O máximo que ela chegou perto disso foi a participação no coral Usagi-san Gasshoudan da trilha do primeiro Suikoden. Porém, o começo é nublado pela emotiva passagem das cordas que desfecha as 19 horas e meia de música vampirescas da caixa.

Agradecimentos aos especialistas de Castlevania do VGMdb, que pouparam horas e horas de pesquisa de tantos jogos, vampiros e bruxas.

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10 Responses to “Akumajo Dracula Best Music Collections BOX: incompleto, anônimo e com boas surpresas”


  1. 1 Jejé 04/05/2010 às 10:42 pm

    Eu juro que ainda vou entender porque diabos eles trocam Slash por Opus 13!
    Hahaha!

    Mas enfim, muito bom o post, e o box também é muito bom! <3

  2. 2 Alexei Barros 04/05/2010 às 11:49 pm

    É, para uma empresa como a Konami que chama o Symphony of the Night, nos créditos ou nos álbuns, de Akumajo Dracula ~Gekka no Nocturne~, Dracula X ~Nocturne in the Moonlight~ ou Akumajou Dracula X: Gekka no Yasoukyoku, não surpreende que os nomes das músicas estejam trocados… =(

    E valeu pelas palavras! Apesar das lacunas musicais e dos créditos, também gostei do box no geral. Mas eu ainda acho os lançamentos da Sega, como After Burner, OutRun e Fantasy Zone mais completos e caprichados.

    • 3 Jejé 05/05/2010 às 3:38 pm

      @Alexei
      Ah, com certeza! Eles têm muito mais cuidado com praticamente tudo, inclusive com a edição e organização.

      Aguardo mais novidades! =D

  3. 4 Lia 05/05/2010 às 9:22 pm

    Castlevania Meets Jazz… que Drácula te ouça =)
    Essa banda de jazz Infomel 8 só participa dessas duas faixas?
    E quanto CD, minha nossa. Nem consegui passar da metade do boz de SaGa ainda.
    E por que será que as músicas na versão japonesa soam diferentes? Dá pra perceber que a intenção foi melhorar, mas as versões Famicon têm um charme, sei lá, parecem mais com uma tentativa de emular instrumentos que as versões americanas, mais “puramente” sintéticas.

    • 5 Alexei Barros 06/05/2010 às 12:06 am

      “Castlevania Meets Jazz… que Drácula te ouça =)
      Essa banda de jazz Infomel 8 só participa dessas duas faixas?”

      Hahaha! Sim, apenas duas. Acho que os arranjos jazzísticos ficaram tão melhores que acabaram eclipsando as outras experimentações.

      “E quanto CD, minha nossa. Nem consegui passar da metade do boz de SaGa ainda.”

      Não conseguiu passar da caixa do SaGa, mas foi por pouco, só por dois CDs, na verdade. =P

      Não chegaria nem na metade da caixa que seria a maior de todos os tempos, o Namco Music Wonder Box, com 39 discos, mas foi cancelado por entraves de direitos autorais.

      “E por que será que as músicas na versão japonesa soam diferentes?”

      Que boa pergunta, rnão sei o motivo do Simon’s Quest. Pesquisei superficialmente e não encontrei nada. Se fosse do Castlevania III: Dracula’s Curse eu saberia responder: a versão japonesa usava o chip VRC6 que permitia usar oito canais de áudio, enquanto que na americana foi substituído pelo MMC5, que tem cinco canais.

      “Dá pra perceber que a intenção foi melhorar, mas as versões Famicon têm um charme, sei lá, parecem mais com uma tentativa de emular instrumentos que as versões americanas, mais “puramente” sintéticas”.

      Sim, também gosto muito mais das versões americanas, não sei se porque estava mais acostumado. Acredito que soa melhor.

  4. 6 Wesley Pires 11/05/2010 às 11:38 am

    Vou te dizer, mestre Alexei: fiquei muito triste ao evr que a “Ruined Castle Corridor” foi tão mal arranjada. Sério, não consegui pegar caracteristica da musica em nenhuma parte. Foi uma brochada forte =(
    As outras musicas mencionadas até que fizeram bem seu papel, mas acho que faltou algo novo.

    • 7 Alexei Barros 12/05/2010 às 6:05 pm

      Concordo. Para mim foi uma das mais fracas junto com a “The Vampire’s Stomach”. Parte da ansiedade das novidades foi suprida com os dois arranjos jazzístico, mas acho que novas versões de músicos relacionados com a série também seriam bem-vindos.


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