Por Claudio Prandoni
Hoje a rede de lojas Monkey anunciou que vai fechar a lan house localizada nas proximidades da Av. Paulista, em São Paulo. Vulgo, a loja foi a primeira da franquia – inaugurada em 1998 – e atualmente é a única que sobrou do que um dia foi uma extensa malha com 60 unidades pelo Brasil.
Entre essas estava uma em Santos, bem perto de onde eu morava lá, umas 4, 5 quadras de distância. Lembro que ela abriu bem no auge da era Counter-Strike e causou o maior furor, trazendo um ambiente bem mais bonito e equipamento melhor do que a lan house que eu e meus amigos da escola costumávamos jogar.
Outro ponto bacana eram as diversas promoções. Uma delas em especial premiava com horas gratuitas quem tivesse boas notas na escola: você levava o boletim, eles lá faziam uma média e quanto maior a média maior o número de horas de graça concedidas. Calha que eu sempre fui bom aluno na escola – mesmo nas matérias que eu não ligava, tipo Química e Física – e aí conseguia bastante tempo, geralmente umas 3, 4 horas, veja só você.
O lance é que também sempre fui mais um jogador de console. Não era muito habilidoso (ainda não sou) no combo mouse+teclado, mas curti muito a era CS lá pelos idos de 2001: quase toda sexta ia na lan house jogar com a meninada esperta (antes ou depois do futebol na praia), mas não aguentava muito mais do que uma hora atirando, morrendo, salvando reféns, armando bombas e comprando a Desert Eagle e colete à prova de balas lá no jogo. Daí, sempre dava um gato e colocava um amigo no meu lugar, pra aproveitar o tanto que sobravam de horas gratuitas.

Lá em Santos, poucos meses depois do lançamento de Half-Life 2 a Monkey fechou. Fui reencontrar a franquia quando mudei aqui pra São Paulo. Aliás, essa Monkey aí da Av. Paulista foi crucial nas etapas decisivas da Revista Continue, quando eu não tinha computador com Internet em casa e dependia dos PCs da faculdade – e da lan house quando a faculdade fechava às 22h30 mais ou menos.
Pessoalmente, considero o fim dessa Monkey como um marco do fim da era das lan houses. Um ícone ou coisa do tipo. Claro que o declínio vem já de beeeem antes e também não significa que serão totalmente erradicadas, mas quando uma loja com mais de 10 anos de estrada, em um ponto tão bom (já foi sede de etapas de campeonatos internacionais) sai de cena, é marcante.
Sinal inevitável da mudança dos tempos e, talvez até, de uma eventual democratização digital no Brasil, facilitando o acesso à Internet em casa para mais pessoas. Mas isso é assunto para outras rodas e inegável é o fato de que leva junto um monte de histórias bacanas/bizarras/divertidas de lan houses.
Você lembra de alguma boa para compartilhar?
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