Por Alexei Barros
Ou vencedor do Oscar é compositor de game music? Há duas semanas o norte-americano Michael Giacchino foi agraciado com o Oscar de melhor trilha sonora pelo trabalho no filme Up – Altas Aventuras da Disney Pixar, e nunca antes alguém tão próximo dos videogames havia conquistado este prêmio.
Giacchino não é um Danny Elfman, por exemplo, um compositor de filmes que por um acaso assinou o tema do Fable ou um Harry Gregson-Williams, que começou no cinema e participou das trilhas da série Metal Gear Solid. Giacchino faz músicas para TV, cinema e videogames. É difícil saber exatamente qual a área primária de atuação porque há trilhas proeminentes nas três: seriados como Alias e Lost, filmes como Ratatouille, Cloverfield e Speed Racer, e uma grande variedade de jogos. De início, títulos com músicas sintetizadas, como Mickey Mania: The Timeless Adventures of Mickey Mouse, Gargoyles e Maui Mallard in Cold Shadow. Mais adiante, as trilhas orquestradas de Medal of Honor, MoH: Underground, MoH: Allied Assault, MoH: Frontline, MoH: Airborne, Call of Duty, Call of Duty: Finest Hour… Por falar nisso, Giacchino já tinha um espaço cravado na história da game music pela da trilha do The Lost World: Jurassic Park (PlayStation), a primeira de um jogo para console gravada com uma orquestra, no caso a The Northwest Sinfonia. Isso em 1997. Será que 13 anos depois ainda é preciso falar “game music não é mais barulhinhos, blips e blops”? Sem falar que muito tempo antes havia diversos álbuns com arranjos orquestrados.
O Giacchino dos filmes é o mesmo Giacchino dos games. Por isso, com o Oscar, ele definitivamente mostrou que a barreira entre as músicas de jogos e filmes não passa de uma desvalorização chula com a game music, por vezes tachada, de maneira repugnante, de “música de nerd”, pior ainda, em muitas ocasiões pelos próprios jogadores, no momento em que tanto uma como a outra podem ser apreciadas independentemente para o fim a qual foram criadas. Não que precisasse do Oscar para constatar isso, mas é uma oportunidade ímpar para ilustrar a questão.


















Acho que dá pra definir a área de atuação primária do cara como sendo “as obras de J.J. Abrams”. Primeira vez que o reconheci pelo nome foi assistindo Lost, e demorou pouco pra perceber que toda produção do J.J. Abrams ele estava no meio, seja pra TV ou pra filme. A surpresa mesmo foi quando, ouvindo umas VGMs antigas e que considerava marcantes descobri o nome dele tanto em Mickey Mania quanto em Cold Shadow. A de MM se destacava pra mim, não todas as músicas é verdade, mas porque ALGUMAS delas parece que continham a essência do ícone “Mickey” e a carga histórica que um jogo de homenagem como esse necessitaria; e pra mim as músicas era grande parte do que fazia a direção artística desse jogo não ser nada menos do que sensacional, te colocando pra jogar em pleno Steamboat Willie, em preto e branco (com as cores se revelando durante a fase, genial), e com músicas como essa: http://www.youtube.com/watch?v=kuHGUHs9RPw. Já Cold Shadow, que era bem mais recente (acho que tinha sido lançado quando o SNES já estava no fim do auge, prestes a iniciar a era PS), me deixou de cara primeiramente por ser completamente despretencioso e ausente de causar qualquer impressão de ser um grande hit como os jogos das grandes fabricantes tipo Nintendo/Rare, Square, Capcom e Konami, mesmo sendo de um personagem da Disney. À partir disso descobri um jogo de altíssima qualidade não apenas pelos belíssimos gráficos e o som, mas também pela direção artística e conceitual da coisa, e pela idéia louca de ter um Donald ‘elseworld’ havaiano e que se transforma em ninja no decorrer das fases. E a música embasbacante, dando clima pra essa viagem dos roteiristas, contendo tracks que chegavam a ter TRÊS MINUTOS antes do loop iniciar: http://www.youtube.com/watch?v=x8eH8-37zvc.
Deixe me alongar um pouco mais, mas existem duas versões tanto pra trilha de Cold Shadow quanto de Mickey Mania, já que ambos tiveram versões Red Book (MM pra SegaCD e CS pra PC). A minha dúvida do momento é saber se o Giacchino foi responsável pelas duas, pois a diferença entre as versões de CD pra sintetizada é brutal. Eu no caso prefiro a sintetizada muito mais, outro dia explico porquê. Algumas músicas das versões CD são de fazer perder o gosto pela vida comparadas com as sintetizadas.
Muito interessante o seu comentário, L.E.. Vou confessar uma coisa: foi apenas quando preparei o post que descobri que o Giacchino compôs trilhas para jogos 16-bits. Na minha cabeça ele começou na época do Medal of Honor, em que fiquei absolutamente estupefato pela qualidade de som – não só das músicas, mas dos ruídos das armas também.
Esses dois jogos da Disney mostram como o casamento com o Mega Drive deu certo, pois eram aventuras belíssimas, tanto técnica quanto artisticamente.
Em relação à dúvida das versões Red Book, na lista de trabalhos do site do Giacchino não há nenhuma informação sobre as plataformas que ele trabalhou diretamente. Pelo seu comentário deve ter sido outra pessoa que arranjou as músicas. Na maioria das vezes, pelo que me recordo, não é o próprio compositor que realiza a conversão. Aparentemente o Mickey Mania do Sega CD não tem créditos. Já no Cold Shadow de PC o nome do Giacchino é visto nos créditos na seção “Original Sega Genesis Version”, portanto se supõe que ele não participou da adaptação para PC.