Arquivo de outubro \01\UTC 2009



“Moving Sacred Mountain ~ March for the Hero” – Monster Hunter (Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert)

Por Alexei Barros

O órgão de tubo (seja o timbre sintetizado ou o próprio) é amplamente utilizado em músicas de games, mas pouco usado em concertos. Foram raras as vezes em que isso aconteceu, como no Fourth e Fifth Symphonic Game Music Concert e Symphonic Fantasies, entre outros. Isso ocorre por razões óbvias de logística, já que o próprio anfiteatro deve comportar o instrumento.

O Monster Hunter 5th Anniversary Orchestra Concert, que aconteceu no Tokyo Metropolitan Art Space, foi uma dessas ocasiões. O quarto segmento abre com o som sombrio do orgão – o detalhe das mãos da organista são exibidos no telão –, abrindo o espaço para a orquestra conferir o clima militar pontuado pela caixa de bateria em “Moving Sacred Mountain”. Por essa característica nota-se que o arranjo é de Hayato Matsuo. Porém, um pouco nesta, mas sobretudo na “March for the Hero” fica a sensação de que um coral poderia ser implementado – não se o concerto fosse nesse local, uma vez que não haveria espaço no palco, totalmente ocupado pela Tokyo Philharmonic Orchestra –, dados os timbres de vozes da original. Ainda assim, a performance é soberbamente executada e magnificamente registrada no DVD:

“Moving Sacred Mountain” ~ “March for the Hero”

Artwork do dia: Epic Mickey epicamente mickeyificado, digo, confirmado

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Por Claudio Prandoni

Botei fé nos boatos e ilustrações fantásticas que pipocaram aí por um tempo e dei sorte: a Game Informer confirmou oficialmente a produção do tentador Epic Mickey.

oswaldnacapaAs informações são poucas, a não ser que realmente será exclusivo para Wii, produzido pela Junction Point e tal. Todo aquele estilo steampunk não está garantido, mas a aterradora capa da revista parece confirmar. Aliás, que arte fabulosa,não?

Por sinal, será que se confirma o coelho Oswald na trama? Eu diria que sim, tendo em vista o orelhudo coelhinho ali escondido atrás de um portão – e destacado aqui ao lado. Ou seria o Max, como apontou o assíduo leitor desenhista Platy?

Persona Music Live 2009: o retorno das personalidades

Persona Music Live 2009
Por Alexei Barros

Organizar um show somente com músicas de Persona mostra a importância da série no Japão. O que dizer de dois anos consecutivos de espetáculos? Depois do sucesso estrondoso do Persona Music Live ano passado – pude comprovar a qualidade em vídeos no YouTube (banda formada por instrumentistas habilidosos, incluindo o compositor Shoji Meguro na guitarra, e a simpatia da cantora Shihoko Hirata formam um combo irresistível) – os artistas voltaram para mais uma apresentação no dia 19 de setembro. Com todos os cantores de antes, menos Nana Kitade, e com o reforço da Mayumi Fujita.

Se em 2008 o show foi no Akasaka Blitz, desta vez aconteceu no Velvetroom in Wel City Tokyo. Os ingressos se esgotaram, e 2000 pessoas assistiram a duas horas de 28 músicas personalizadas, sendo nove inéditas. Três do remake Shin Megami Tensei: Persona para PSP (a pitoresca “Satomi Tadashi Pharmacy’s Theme 2009” foi cantada com Shihoko Hirata e Shuuhei Kita vestidos de médico), duas do Persona 3 (uma delas, a “Living with Determination”, um dia deveria ser orquestrada), uma do Persona 3 FES e mais três do Persona 3 Portable – como a trilha deste vai ser lançada somente em novembro não teve como colocar os links destas faixas. Ainda assim, há muitas músicas, especialmente as instrumentais, que não foram aproveitadas. Do Persona 4 tem “Like a dream come true” (Noriyuki Iwadare?), “Kerorin MAGIC!” (Iwadare de novo?), “Specialist” (Meguro encontra Casiopea?)… que venha o próximo em 2010.

A resposta para a pergunta que não quer calar: sim, o espetáculo foi gravado de acordo com os relatos japoneses. Como o primeiro, o lançamento do DVD é altamente provável. Uma obrigação, eu diria.

Segue o set list com a relação de músicas, jogos e vocalistas:

01 – “Heartful Cry” (Persona 3 FES): instrumental
02 – “P3 fes” (Persona 3 FES): Yumi Kawamura & Lotus Juice*
03 – “Dream of Butterfly” (Shin Megami Tensei: Persona): Yumi Kawamura*
04 – “Want To Be Close” (Persona 3): Yumi Kawamura*
05 – “When The Moon’s Reaching Out Stars” (Persona 3): Yumi Kawamura
06 – “Pursuing My True Self” (Persona 4): Shihoko Hirata
07 – “Your Affection” (Persona 4): Shihoko Hirata
08 – “Heartbeat, Heartbreak” (Persona 4): Shihoko Hirata
09 – “Signs Of Love” (Persona 4): Shihoko Hirata
10 – “Your Affection” (Persona 4): Shihoko Hirata
11 – “The Almighty” (Persona 4): instrumental
12 – “Mass Destruction” (Persona 3): Lotus Juice
13 – “Burn My Dread -Last Battle-” (Persona 3): Lotus Juice
14 – “Soul Phrase” (Persona 3 Portable): Shuuhei Kita*
15 – “A Way of Life” (Persona 3 Portable): Mayumi Fujita*
16 – “Heaven” (Persona 4): Shihoko Hirata
17 – “Never More” (Persona 4): Shihoko Hirata
18 – “Found Me” (Persona ~Trinity Soul~): Yumi Kawamura
19 – “Voice” (Shin Megami Tensei: Persona) Yumi Kawamura*

Bis 1

20 – “Living with Determination” (Persona 3): instrumental*
21 – “Burn My Dread” (Persona 3): Yumi Kawamura
22 – “Breakin’ through” (Persona ~Trinity Soul~): Shuuhei Kita
23 – “Wiping All Out” (Persona 3 Portable): Mayumi Fujita + Lotus Juice*
24 – “Deep Breath Deep Breath” (Persona 3): Lotus Juice
25 – “Reach Out To The Truth” (Persona 4): Shihoko Hirata & Yumi Kawamura
26 – “Memories of You” (Persona 3): Yumi Kawamura & Shihoko Hirata

Bis 2

27 – “Satomi Tadashi Pharmacy’s Theme 2009” (Shin Megami Tensei: Persona): Shihoko Hirata & Shuuhei Kita*
28 – “The Battle for Everyone’s Souls” (Persona 3): instrumental

* Faixas novas em relação ao ano passado.

Personalmente grato ao Fabão pelos links dos reports.

[via Famitsu, Xcomp Randomness]

From a game console to a symphonic orchestra: a conferência sobre arranjo e orquestração de Jonne Valtonen

Jonne ValtonenPor Alexei Barros

Jonne Valtonen. Citei várias vezes o nome dele, mas falei pouco sobre ele. Natural da Finlândia, iniciou sua trajetória na demoscene europeia e fez parte do grupo Future Crew, atuando sob o pseudônimo Purple Motion, em referência à banda Deep Purple. Criou trilhas para jogos pouco conhecidos, como Death Rally e Dropmania. Autodidata até então, Valtonen estudou composição e orquestração por seis anos na Pirkanmaa Polytechic and Sibelius Academy, que foi peremptória para a sua colaboração como arranjador de diversos concertos, como os segmentos de Mario e Zelda do PLAY! A Video Game Symphony e tantos outros nas edições Third, Fourth e Fifth da série Symphonic Game Music Concert. Mais recentemente se consagrou como o principal arranjador do Symphonic Shades, e sobretudo nas engenhosas suítes do recente Symphonic Fantasies, em que também compôs a abertura “Opening fanfare (Symphonic Fantasies)”. Merecidamente foi chamado para subir ao palco no final da apresentação.

Antes deste último, Valtonen realizou na Finlândia a palestra “From a game console to a symphonic orchestra”, que é uma verdadeira aula teórica de música, discutindo o trabalho de arranjo e orquestração. Um dos principais atrativos de game music – ouvir uma faixa primitiva tatuada na memória executada em uma interpretação grandiosa – é exemplificado quando ele mostra a “Main Theme” do Great Giana Sisters e depois sincroniza com o arranjo “The Great Giana Sisters (Suite)” (04:57).

Enfocando o Symphonic Shades, ele dá explicações sobre várias das decisões e inspirações das releituras. Nada é aleatório, tudo tem um motivo. Além disso, esclarece questões sobre as nomenclaturas (arranjo não é a mesma coisa que orquestração), e faz os seus característicos comentários irônicos e autodepreciativos: “Eu vou ver Nobuo [Uematsu] lá [Colônia, Alemanha] e acho que vamos poder discutir mais sobre esses arranjos. Ele vai odiá-los ou não. Espero que não os odeie” (46:41).

Não sei se o seu nível de interesse por game music chega a esse ponto hardcore – eu achei extremamente interessante e didático. Fica o registro. Valtonen tem um sotaque carregado, mas toda a palestra é em inglês, apesar de ter acontecido na Finlândia. E com certeza seria de grande valia uma nova palestra pós-Symphonic Fantasies depois de se recuperar do trabalho exaustivo para a elucidação dos segredos e alusões da suítes. Não sei se haverá tempo, pois já está escalado para os arranjos do concerto pedagógico Super Mario Galaxy – A Musical Adventure (janeiro de 2010) e do próximo Symphonic (setembro de 2010).

Destaqueis alguns dos pontos mais interessantes para atiçar sua curiosidade:

04:57 – Sincronização das versões sintetizada e orquestrada do Great Giana Sisters.
06:00 – Terminologia: composição, arranjo, orquestração, instrumentação.
13:15 – Influências de John Williams na fanfarra do Grand Monster Slam.
19:39 – Comentários sobre o arranjo de Gem’X.
23:52 – “Agora estou fazendo o arranjo de Final Fantasy. Mexi uma nota. Espero que Nobuo [Uematsu] não se importe. Acho que não vai”.
25:00 – Método de trabalho de orquestração.
28:43 – Desafios dos arranjos de Symphonic Shades.
34:28 – Trabalhando com orquestra.
46:41 – “Eu vou ver Nobuo lá e acho que vamos poder discutir mais sobre esses arranjos. Ele vai odiá-los ou não. Espero que não os odeie”.

Obrigado ao Thomas Boecker por passar o vídeo.

Ni no Kuni: as músicas de outro mundo de Joe Hisaishi

Ni no Kuni
Por Alexei Barros

Quando o RPG Ni no Kuni foi anunciado na TGS 2008 minha expectativa foi exacerbada não somente pela parceria inédita entre a desenvolvedora Level-5 e o estúdio de animação Studio Ghibli dos longa-metragens animados de Hayao Miyazaki. O principal motivo é a trilha sonora do proeminente Joe Hisaishi.

Essa não é primeira colaboração em videogames do mestre que deu aulas de composição para Yuzo Koshiro, vale lembrar. Hisaishi já participou de Zoids: Chuuou Tairiku no Tatakai (Famicom), Zoids 2: Zenebasu no Gyakushuu (Famicom), Tengai Makyou II: Manji Maru (PC Engine CD) e Might and Magic (PC Engine CD-ROM2) – todos lançados somente no Japão e obscuros no ocidente.

Naquela época não havia como utilizar músicas orquestradas, uma característica constante nas composições dele. Mas agora para Ni no Kuni enfim não há mais barreiras tecnológicas. Pelo menos é a impressão que passa, pois parece que os estúdios ignoraram que o jogo é para DS.

Inacreditavelmente o álbum da trilha original não foi anunciado, mas a performance é da Tokyo Philharmonic Orchestra, a mesma dos recentes concertos de Ace Attorney e Monster Hunter. As músicas impressionaram sobremodo na demonstração – versão completa japonesa só em 2010, americana ainda não confirmada –, que os imbatíveis fãs tiveram a bondade de ripá-la para a nossa essencial apreciação. Não por menos há uma mensagem para jogar com fones de ouvido. Faça o favor.

Todas estão em uma faixa contínua, com breves pausas entre uma e outra. Logo abaixo há a decupagem. Senti reminiscências de Monster Hunter em “Opening”, Professor Layton em “The Story So Far” devido ao som de caixa de música e Shadow of the Colossus em “North Forest” e “Normal Battle”. “Victory” tem um quê de Hitoshi Sakimoto nas trilhas de GrimGrimoire e Final Fantasy XII e “Castle Town” uma levada celta à la Yasunori Mitsuda. Preciso falar mais alguma coisa?

“Ni No Kuni”

00:00: Opening
01:04: The Story So Far…
02:01: North Forest
04:09: Normal Battle
06:29: Boss Battle
08:47: Victory
09:41: Field
13:14: Castle Town

Instantaneamente a trilha tem potencial para ser tocada ao vivo se não no Press Start, por ser um concerto japonês, acredito que no A Night in Fantasia, que costuma executar as composições de animes e games nas mesmas apresentações. Melhor ainda seria se as músicas aparecessem nos monumentais concertos do Studio Ghibli. Para ilustrar, a récita Joe Hisaishi in Budokan – 25 years with the Animations of Hayao Miyazaki, realizada em agosto de 2008 em comemoração de 25 anos do estúdio, que chegou a ser transmitida na NHK e foi lançada em DVD em julho desse ano. Reuniu inacreditáveis 200 instrumentistas da New Japan Philharmonic World Dream Orchestra e um coral de 400 vozes que de tão grande exige dois maestros auxiliares nas laterais, totalizando 600 pessoas no palco sob a regência de Joe Hisaishi. Quando vi a tomada aberta fiquei boquiaberto. Pasmo. Estarrecido com tal grandiloquência. Espere até ver a arquitetura do Nippon Budokan, que comporta mais de 14.000 lugares e foi originalmente construído para as competições de judô das Olimpíadas de 1964. Nem no Japão vi nada semelhante em concertos de game music, e me pergunto se um dia existirá algo parecido, afinal jogos e animes estão próximos. Prova disso, além das mencionadas relações de Joe Hisaishi com games, nesse mesmo espetáculo há a participação da Ayaka Hirahara, da canção “Reset” de Okami. Abaixo o fabuloso segmento de Nausicaä of the Valey of the Wind em que Hisaishi também toca piano.

Agradecimentos ao Fabão pela recomendação, descoberta, decupagem e informações.

[via Nico Nico Douga]

“Chrono Medley” – Chrono Trigger e Cross (VGO Chamber Group @ Anime Boston)

Por Alexei Barros

Lembra daquele “Chrono Trigger Medley” da Video Game Orchestra Chamber Group? E dessa “Scars of Time”? Pois então, os dois foram fundidos no show do Anime Boston para a versão definitiva do segmento chronológico da VGO.

Tal qual antes, o “Chrono Trigger Medley ~Orchestra Version~” é utilizado como base. A novidade em relação à apresentação no IGC East é a inserção da guitarra do Shota Nakama, fazendo participações sutis, e do teclado em vez do piano. Não me canso de destacar o uso do baixo elétrico, ausente na orquestração da Natsumi Kameoka, pontuando “A Premonition”“Guardia Millenial Fair” e “Frog’s Theme”. Após o tema “Chrono Trigger”, encaixado muito bem após a “Frog’s Theme”, naturalmente vem a “Scars of Time” sem um trecho da introdução, mas com aquela mesma improvisação feita com sapiência. Performance vistosa, mistura adequada de instrumentos elétricos e acústicos… é mais um medley com o selo de qualidade pró-amadora da VGO.

“Chrono Medley”

“A Premonition” ~ “Guardia Millenial Fair” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Chrono Trigger” (Chrono Trigger) ~ “Scars of Time” (Chrono Cross)

Hadouken Friday: leitor artista anima a sexta-feira com wallpapers do Hadouken

papel_de_parede_hadouken_by_vinicius_de_moura_para_o_site

Por Claudio Prandoni

Mais uma leva de prestígio e talento de nossos estimados leitores. Quem mostra habilidade no traço novamente é o leitor Vinicius de Moura, que montou três wallpapers cá para o blog, apresentando Blanka, Ryu e General Uile Guile – em design Street Fighter IV – no traço dele.

Todos estão em resolução 1280×1024 e você pode conferir e/ou baixar pela galeria logo abaixo.

Ah, e não deixe de ver mais da arte do Vinicius na página oficial dele na galeria virtual deviantART.

“Chrono Trigger & Cross Medley” – Chrono Trigger & Cross (VGL 2009 em Tóquio)

Por Alexei Barros

Fiquei intrigado nos relatos japoneses (alguns não muito felizes) do Video Games Live em Tóquio que na listagem das músicas do “Chrono Trigger & Cross Medley” havia uma menção à “Battle with Magus”, música que não existia na primeira versão do segmento. Imaginei que a partir de então seria o arranjo tocado nas apresentações posteriores, mas por algum motivo bizarro, essa adaptação foi executada exclusivamente no Japão, já que nos shows em Augusta e na turnê brasileira retornou o medley antigo sem a “Battle with Magus”. Aliás, no Brasil a “Scars of Time” vem sendo tocada com um violão em vez de dois, já que o Jack Wall não veio.

No mais, o medley japonês é, como antes, uma reciclagem da orquestração da Natsumi Kameoka do “Chrono Trigger Medley ~Orchestra Version~”, novamente excluindo a “Guardia Millenial Fair”, o que causa uma passagem violenta entre “A Premonition” e “Wind Scene”. Como na versão anterior, a “Frog’s Theme” é um pouco estendida em relação ao Chrono Trigger Extra, transitando para a supracitada “Battle with Magus”.

Então vem a “Scars of Time”… precisa mesmo que o próprio maestro toque violão? É para chamar a atenção? Parece que funcionou como se notam as palmas, mas é totalmente precário e sem sentido no meu entendimento. Não vejo o menor objetivo. Já comentei isso antes, enfim. Diferentemente da outra versão, o Tallarico não acompanhou no violão como fazia em todo o medley. A bem da verdade, a “Scars of Time” ficou menos pior (não há aqueles excertos irreconhecíveis de antes), apesar da minha birra quanto ao abandono da regência no fim, o que não tira o fato de ser o segundo mais fraco dos medleys de Chrono – o primeiro é o segmento  tocado nos outros países com dois violões e sem a “Battle with Magus”. O que Yasunori Mitsuda, que acompanhou a performance na plateia, deve ter achado?

“Chrono Trigger & Cross Medley”

“A Premonition” ~ “Wind Scene” ~ “Frog’s Theme” ~ “Battle with Magus” (Chrono Trigger) ~ “Scars of Time” (Chrono Cross)

P.S.: Como é bom ver vídeos sem berros tresloucados por tão pouca coisa. Pronto, falei.

“Fighting ~ Bombing Mission” – Final Fantasy VII (VGO Chamber Group @ Anime Boston)

Por Alexei Barros

No dia 23 de maio a Video Game Orchestra Chamber Group realizou o seu mais recente show, e coincidentemente tocou as mesmas músicas do Final Fantasy VII selecionadas para a suíte “Fantasy IV “(Final Fantasy)” do Symphonic Fantasies: “Fighting” e “Bombing Mission”. Seria até injusto comparar não só porque esses dois excertos são, repito, um dos melhores arranjos que ouvi na vida (em especial o primeiro), como são propostas completamente diferentes.

Fico estarrecido ao constatar que a “Fighting”, sobretudo por ser do mais popular episódio da série, nunca foi arranjada pelos Black Mages. Em relação àquela “Fighting” tocada pela VGO Chamber Group no IGC East, há as implementações de duas guitarras, teclado (no lugar do piano) e bateria (baixo elétrico já tinha) na companhia das cordas e das madeiras. A maior novidade é a inclusão da “Bombing Mission”, essa sim relida pelos Black Mages no The Black Mages III Darkness and Starlight junto com a música de abertura: “Opening ~ Bombing Mission”. A transição para uma e outra é feita de maneira muito natural (1:12 a 1:15), e no geral o medley ficou coerente por reunir duas faixas aceleradas, de ação. Pena que aparentemente a acústica do local não é das melhores.

“Fighting” ~ “Bombing Mission”

A Night in Fantasia 2009: o regresso eminente

A Night in Fantasia 2009
Por Alexei Barros

Depois da ausência em 2008, ano ocupado pela gravação das trilhas de Diablo III, Soulcalibur IV, Valkyria Chronicles e do álbum Echoes of War, a série de concertos australiana A Night in Fantasia retornou neste ano em Sidnei, no Sydney Entertainment Centre no sábado passado, dia 26 de setembro. A despeito de algumas informações desencontradas (Diablo III, Valkyria Chronicles, o anime de The Tower of Druga e a presença de Hitoshi Sakimoto nem se confirmaram como anunciado de início), aparentemente a récita foi caprichada, mesmo porque foi realizada em um único espetáculo.

Do total de 20 executadas, 13 serão lançadas no CD A Night in Fantasia 2009 no dia 12 de dezembro. Muito melhor do que fazer várias apresentações na Austrália e restringir a eminência sinfônica para o público local. Como disse antes, o set list possui mais jogos ocidentais e, muito possivelmente para evitar problemas de direitos autorais, não há músicas de títulos da Nintendo e Square Enix – os direitos autorais da trilha de Chrono Cross são do próprio Yasunori Mitsuda.

Em relação àquela lista de convidados comentada no post anterior do A Night in Fantasia 2009, nada muito sério a acrescentar, senão pela ausência de Steve Jablonsky (Gears of War 2), que não pode comparecer e deixou uma mensagem em vídeo. De resto, Yasunori Mitsuda (Chrono Cross), Masaru Shiina (THE iDOLM@STER), Inon Zur (Dragon Age: Origins e Prince of Persia), Cris Velasco (God of War II), Wataru Hokoyama (Afrika) e Kow Otani (Shadow of the Colossus) estavam lá.

Como os relatos australianos costumam ter o péssimo hábito de não citar nominalmente as faixas tocadas, diferentemente dos blogs e sites japoneses, poderia encerrar por aqui se não fosse por uma gravação da plateia que encontrei de quatro músicas, algumas das que estava mais curioso para ouvir – faltou God of War II, Ace Combat V e Soulcalibur. Não é perfeito, mas audível e permite ter uma ideia dos arranjos – alguns que poderão ser futuramente apreciados no CD em todo o esplendor.

- “Radical Dreamers” (Chrono Cross)
Original: “Radical Dreamers”

Chrono CrossParece até que foi combinado. A faixa selecionada é exatamente uma que não apareceu no antológico “Fantasy III (Chrono Trigger & Cross)” do Symphonic Fantasies, o que demonstra a fartura de músicas de Chrono Cross. Isso que ainda há tantas outras não aproveitadas. A singela canção dos créditos, originalmente apenas voz (da cantora Noriko Mitose) e violão, já havia sido traduzida para violino, violoncelo e piano no evento Destiny Reunion da própria Eminence, e adquiriu maiores proporções no opulento arranjo de Hayato Matsuo. Mais interessante, ele usou o mesmo recurso do Jonne Valtonen ao verter as partes do violão para a harpa. Aos poucos, o tema é repetido e variado, com forte utilização de metais graves e flautas, explodindo até o apogeu, e encerrando de maneira comedida na harpa. Meu veredicto definitivo só poderá ser dado na versão do CD.

- “Shadow of the Colossus”

Shadow of the ColossusVerdade seja dita: o A Night in Fantasia é o concerto que mais rende homenagem à trilha do Shadow of the Colossus, não por menos o spalla Hiroaki Yura é amigo pessoal do compositor Kow Otani. Em todos as apresentações feitas pelo mundo, os segmentos reproduziam uma original ou emendavam várias músicas. Esse é o primeiro arranjo de fato, ou seja, uma interpretação alternativa, não literal, do Shadow. Uma ambiciosa suíte com dez minutos de duração, com Otani ao piano.

De início, me causou aflição por saber da participação da cantora Aika Tsuneoka, a mesma do Echoes of War, por não existir nenhum solo de vocal na trilha inteira. O pessimismo me acometeu quando a primeira intervenção dela me lembrou a “Children of the Worldstone”, mas felizmente aqui não parece que ela está cantando direto da garganta como no Echoes of War. O coral também atua, conferindo um clima sagrado.

Contudo, meu reconhecimento de faixas falhou, e só consegui identificar lembranças de “The Sunlith Earth” (3:00), “Prologue to the Ancient Land” (6:30), e acredito até que existam trechos originais, por isso também nem me arrisquei a detalhar por completo. Outra que precisa ser conferida no CD.

- “Tonari ni…” (THE iDOLM@STER)
Original: “Tonari ni…”

Chiaki TakahashiTocar uma canção J-pop de um jogo de karaokê lançado apenas no Japão e para Xbox 360 é o que chamo de uma escolha audaciosa. Como a maioria das composições do Masaru Shiina, a “Tonari ni…”, que está registrada no álbum THE iDOLM@STER Master Artist 07 Azusa Miura, é pontuada por metais jazzísticos e baixo elétrico – que desapareceram na versão de Kazuhiko Sawaguchi. As palmas, o contracanto e outros elementos também foram suprimidos. Apesar da participação da cantora original Chiaki Takahashi e do coral, parece até outra canção. Ficou menos pop e mais erudito. Prefiro a original.

- “Metal Gear Solid 2 / 3 Theme” (Metal Gear Solid 2 e 3)
Originais: “Metal Gear Solid Main Theme MGS 3 Version” ~ “Metal Gear Solid Main Theme” ~ “Metal Gear Solid Main Theme MGS 3 Version”

Metal Gear Solid 3: Snake EaterEsse arranjo não é novo, é o mesmo apresentado no A Night in Fantasia 2007: Symphonic Games Edition que alterna entre os temas principais do Metal Gear Solid 2 e 3. Inclusive havia publicado antes. Só não sabia que era da Natsumi Kameoka. Foi executado no encerramento, com Hiroaki Yura de bandana e tudo. A participação da bateria, reproduzindo as batidas sintetizadas das originais, é a melhor parte, sem esquecer do emocionante solo de violão no final.

Set list, agora com a ordem da apresentação:

Ato I

01 – Command and Conquer: Red Alert 3*
Composição: James Hannigan
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi

02 – Laputa, Castle in the Sky
Composição: Joe Hisaishi
Arranjo: Wataru Hokoyama

03 – My Neighbour Totoro
Composição: Joe Hisaishi
Arranjo: Wataru Hokoyama

04 – Princess Mononoke
Composição: Joe Hisaishi
Arranjo: Wataru Hokoyama

05 – Darksiders*
Composição e arranjo: Cris Velasco

06 – God of War II*
Composição e arranjo: Cris Velasco

07 – Soulcalibur
Composição: Junichi Nakatsuru
Arranjo: Shiro Hamaguchi

08 – Astro Boy
Composição: Tatsuo Takai
Arranjo: Shiro Hamaguchi

09 – Melancholy of Haruhi Suzumiya*
Composição: Satoru Kousaki
Arranjo: Shiro Hamaguchi

10 – Tsubasa Chronicles
Composição: Yuki Kajiura
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi

11 – Ace Combat V: The Unsung War
Composição: Keiki Kobayashi
Arranjo: Wataru Hokoyama

Ato II

12 – Death Note
Composição: Yuki Kajiura
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi

13 – Afrika
Composição, arranjo e regência: Wataru Hokoyama

14 – Chrono Cross
Composição: Yasunori Mitsuda
Arranjo: Hayato Matsuo

15 – Dragon Age: Origins*
Composição e arranjo: Inon Zur
Vocal: Aubrey Ashburn

16 – Prince of Persia
Composição e arranjo: Inon Zur

17 – Shadow of the Colossus
Composição, arranjo e piano: Kow Otani
Vocal: Aika Tsuneoka

18 – THE iDOLM@STER*
Composição: Masaru Shiina
Arranjo: Kazuhiko Sawaguchi
Vocal: Chiaki Takahashi

19 – Gears of War 2
Composição: Steve Jablonsky
Arranjo: Wataru Hokoyama

Bis

20 – Metal Gear Solid 2 / Metal Gear Solid 3*
Composição: Tappy Iwase e Harry Gregson-Williams
Arranjo: Natsumi Kameoka

* Não estarão registrados no CD.

A Night in Fantasia 2009

[via PALGN]

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