Obrigado por existir, YouTube. Hoje, dia 16 de setembro, é lançado no Japão o DVD Persona Music Live Velvetroom in Akasaka Blitz do show da série que ocorreu dia 22 de agosto de 2008. Eu imaginei que esperaria meses até poder ver a performance ao vivo de “Pursuing My True Self” no momento em que inocentemente faço a busca no YouTube e me deparo com vários vídeos do espetáculo. Subidos oito horas atrás. Esqueci que no Japão são 12 horas a mais.
Confirmando a minha expectativa – antes de mais nada, são japas –, a banda de anônimos (ainda me dedicarei a descobrir o nome de todos os instrumentistas) liderada pelo compositor Shoji Meguro é fantástica, digna dos melhores tempos de Shinsekai Gakkyoku Zatsugidan, com duas guitarras, teclado, baixo, bateria e saxofone.
Ainda que o timbre do teclado não seja exatamente idêntico da versão do jogo, é empolgante ver a euforia do público nos primeiros acordes da canção. A bateria é reproduzida de maneira perfeita em compensação, embora não fique tão evidência. Quando entra o saxofone – fico com a sensação que faltou um trompete para ficar mais fiel – e a performance vocal da graciosa cantora Shihoko Hirata, a mesma da versão original, a música contagia em sua plenitude. A guitarra distorcida e o baixo ficaram até melhores, mais vivos. Mas pena que acaba tão rápido. No final, ela e Meguro discursam na abertura do show.
Tem tanta coisa acontecendo e nem estou dando conta de falar de tudo. Aos poucos tentarei colocar em dia…
Porque não podia passar batido o concerto de Final Fantasy VI da Little Jack Orchestra ocorrido no dia 23 de agosto em Yokohama. Fiquei surpreso que essa apresentação recebeu uma atenção maior entre a seara de fãs hardcore de game music do que o costumeiro. Veja você, há dois relatos em inglês. Os espetáculos anteriores eram cerceados ao público nipônico local, e quando muito se viam descrições somente nos blogs japoneses.
Embora a Little Jack seja amadora, dois fatores praticamente gabaritam o profissionalismo da orquestra, excetuando o fato, é claro, que o evento não tem o aval da Square Enix. Primeiro, o próprio Nobuo Uematsu assistiu a apresentação. Ele não apareceria lá por qualquer porcaria. E outra: tudo aconteceu no Minato Mirai Hall, casa de espetáculos que já abrigou um concerto oficial da série, a apresentação de estreia da turnê Tour de Japon – music from Final Fantasy. O local ostenta um órgão da marca americana C.B. Fisk que possui nada menos do que 4.623 tubos para tremer as paredes com o som poderoso, como aconteceu em “Opening Theme” e “Dancing Mad”.
Pelo que li, a performance não foi 100% perfeita, normal em se tratando de amadores, mas é algo especial ouvir as músicas tocadas por instrumentistas que conhecem o jogo e gostam delas sobremaneira, de acordo com as próprias palavras do Uematsu ao fim do evento. Os arranjos procuraram imitar às originais, sem grandes arroubos, baseando-se nos timbres simulados nas sintetizadas. As cordas foram as que mais impressionaram.
Já que foram pontuais as vezes em que as faixas de Final Fantasy VI foram arranjadas em concertos profissionais (a mais recente delas, “The Mystic Forest”, no Symphonic Fantasies), a maioria ainda possui um teor nostálgico valioso pelo ineditismo – aquela sequência de temas de combate do quarto segmento é mancada. Como não poderia deixar de ser, a “Ending Theme” orquestrada foi uma das mais aclamadas com os seus 21 minutos em todo o seu esplendor. Se apenas com aquele conjunto de cordas Nico Nico Quartet a performance da “Ending Theme” foi soberba, imagino então com toda a instrumentação de uma orquestra. Seria difícil resistir até o fim, infartando em cada lembrança dos temas dos personagens.
E as gravações do concerto, você deve se perguntar. De acordo com o Adam Corn, em seu relato no Soundtrack Central: “havia gravações em vídeo e sem dúvidas gravações em áudio…”. Essa é a razão para procurar por “Little Jack” no Nico Nico Douga quase que diariamente. Mas levando em conta que nunca surgiu um vídeo dos concertos anteriores (este é o sexto), não sei se será dessa vez que aparecerão registros.
Para outubro de 2010 já foi confirmado o sétimo concerto anual da Little Jack Orchestra com… adivinha, um dos jogos preferidos das orquestras pró-amadoras: Chrono Trigger!
No momento me encontro em momentos finais para terminar o modo World Tour em Rock Band 2 e em contagem regressiva para a chegada de minha cópia de The Beatles: Rock Band.
Ainda assim, um olhar sorrateiro não deixa de espiar o futuro dos joguetes musicais, mais especificamente o promissor DJ Hero – e não sou o único da blogosfera blogger blogueira.
Apesar de não ser profundo conhecedor – tal qual maestro Barros é no ramo da Game Music – gosto demais de música eletrônica. Na Game Music, por exemplo, sou muito fã de Yuzo Koshiro (sempre o mago Koshirão), Ayako Saso e, principalmente, Shinji Hosoe. No mundo da música não de joguinho sou apreciador dos franceses do Daft Punk.
Já tinha ficado totalmente maravilhado com o excelente longa-metragem animado Interstella 5555 (produzido pela Toei Animation sob a supervisão do lendário Leiji Matsumoto), agora os caras/robôs/coisas humanóides nos brindarão com o talento deles em DJ Hero. Não apenas a nível de como personagens jogáveis, com cenário inspirado e coisa e tal, mas também com nada menos que onze (1, 2, 3, 4… 11!) remixes diferentes – alguns já revelados, inclusive. Um deles é esse totalmente animal aí do trailer logo acima, misturando “Robot Rock” com a antológica “We Will Rock You”.
Para completar uma galeria com imagens da dupla no game (aliás, que jogo bonito) e o tal Interstella 5555 completamente completo na íntegra.
Muitos compositores de games não se contentam em seguir somente as ordenanças dos produtores e se libertam ao publicar álbuns solo com músicas que não precisam acompanhar as cenas de jogo. A lista é extensa dos que se aventuraram: Nobuo Uematsu, Motoi Sakuraba, Motoaki Furukawa, Hiroki Kikuta, Yoko Shimomura, Yasunori Mitsuda, Noriyuki Iwadare, Akira Yamaoka, Norihiko Hibino, Kenji Ito, Chris Huelsbeck, Takayuki Aihara… Um monte.
O próximo a engrossar a relação é o americano de ascendência chinesa Christopher Tin, também compositor de filmes e comerciais. Quem diria, ele já visitou o Hadouken para conhecer a fantástica performance com bateria e baixo elétrico da “Baba Yetu” (Civilization IV) no concerto holandês Games in Concert 3.
Precisamente o tema do menu do jogo de estratégia encabeça as 12 faixas do seu primeiro CD solo Calling All Dawns. Cada uma é cantada em um idioma diferente: suaíli, japonês, mandarim, francês, latim, irlandês, polonês, hebraico, persa (desconhecia a existência), sânscrito, maori e… português! Assim como Noriyuki Iwadare no Grandia II (“A Deus” e “Canção do povo”), Tin compôs uma música para ser cantada no idioma lusitano.
Lusitano entenda português de Portugal. A intérprete de “Se É Pra Vir Que Venha” é a cantora de fado portuguesa Dulce Pontes. Os bucólicos e libertários versos escritos pela poetisa brasileira Patrícia Magalhães que se escuta no sample: “Vou cercar meu gado / Vou deitar no pasto / Vou roubar a cena / Vou sorrir sem pena / Sem puxar as rédeas / Sem seguir as regras / Sem pescar ou ansiar / Sem errar a dança / Se é para vir que venha”.
Além dela, há as participações especiais do coral Soweto Gospel Choir, do quarteto americano de vocais femininos Anonymous 4, da cantora de ópera americana Frederica von Stade, da iraniana Sussan Deyhim, da chinesa Jia Ruhan e do trio de japonesas Aoi Tada, Kaori Omura e Lia. Todas as músicas são orquestradas e foram gravadas no lendário Abbey Road Studios com performance da britânica Royal Philharmonic Orchestra, que já tocou nas trilhas de Arc the Lad, Suikoden V (“Wind of Phantom”) e Final Fantasy XII (Symphonic Poem “Hope”).
As músicas foram compostas de forma a seguir uma narrativa de três partes – dia, noite e alvorada, representando a vida, a morte e o renascimento –, para serem escutadas de maneira contínua. Cada canção, com letras que passam mensagens relacionadas com cultura e religião, flui naturalmente na outra sem interrupções e a última acaba com o mesmo acorde da primeira, representando a natureza cíclica da vida. Genial o conceito.
O álbum poliglota está à venda no site oficial do Christopher Tin por 15 dólares e será publicado no dia 1º de outubro. Quem comprou pelo sistema de pré-venda não precisa nem esperar o CD chegar pelo correio, porque receberá no dia do lançamento um e-mail com link para baixar todas as músicas.
Também na página é possível escutar os samples de todas as canções desta Torre de Babel auditiva anexadas no Soundcloud no final do post. Sei que muita gente não vai apreciar o estilo world music, achará as músicas chatas ou insípidas, mas há canções belíssimas, como a própria “Se É Pra Vir Que Venha”. Porém, não gostei muito do sample que está aí embaixo, que é o que imagino estar no CD: o vocal é moroso e cansativo. A que apreciei é a amostra publicada no LakeHouse Sound, que não é a mesma. Cantada pela americana Jen Shyu, a voz flui mais naturalmente, sem carregar as palavras como na outra. Mais bizarro, no verso “Sem pescar ou ansiar” da versão arrastada ouço claramente “Sem fisgar ou ansiar” na mais suave. Até coloquei no Goear o sample do “Se É Pra Vir Que Venha” para facilitar a comparação com a outra lá embaixo.
Parte I: All Days Return
01 – “Baba Yetu” (suaíli)
02 – “Mado Kara Mieru” (japonês)
03 – “Dao Zai Fan Ye” (mandarim)
04 – “Se É Pra Vir Que Venha” (português)
05 – “Rassemblons-Nous” (francês)
Parte II: Against the Night
06 – “Lux Aeterna” (latim)
07 – “Caoineadh” (irlandês)
08 – “Hymn Do Trójcy Swietej” (polonês)
Parte III: Calling All Dawns
09 – “Vayehi-Or” (hebraico)
10 – “Hamsáfár” (persa)
11 – “Sukla – Irsne” (sânscrito)
12 – “Kia Hora Te Marino” (maori)
A foto acima bem que poderia ter sido tirada no Japão, mas não, foi na Alemanha. A essa altura, já aconteceu no König Pilsener Arena na cidade de Oberhausen a primeira apresentação do Symphonic Fantasies – music from Square Enix. A principal é a que ocorrerá amanhã às 20 horas locais (15 horas aqui no Brasil) no Cologne Philharmonic Hall, em Colônia. Se é que ainda é preciso lembrar, o concerto será transmitido em vídeo via streaming pela internet. E também pelo rádio, caso a sua conexão não seja muito boa.
O quarteto fantástico de compositores Hiroki Kikuta, Yoko Shimomura, Nobuo Uematsu e Yasunori Mitsuda estará lá no concerto para presenciar as suítes de Secret of Mana, Kingdom Hearts, Final Fantasy e Chrono Trigger e Cross, cada qual com aproximadamente 17 minutos de duração, contendo somente as respectivas músicas assinadas por eles. Ou seja, não espere por alguma das nove faixas de Uematsu para o Chrono Trigger no segmento de Chrono, os temas principais da Hikaru Utada na peça de Kingdom Hearts ou então qualquer uma do Hitoshi Sakimoto, Masashi Hamauzu e outros que não do Uematsu em Final Fantasy. Todos os arranjos são do talentoso Jonne Valtonen, o principal orquestrador do Symphonic Shades.
Executada pela WDR Radio Orchestra e WDR Radio Choir, que cantará em Secret of Mana e Final Fantasy, a apresentação terá a regência do maestro Arnie Roth. Para complementar a performance, o pianista de apenas 20 anos Benyamin Nuss tocará em Kingdom Hearts e o percussionista Rony Barrak em Chrono Trigger e Cross. Barrak disse ao produtor Thomas Boecker que é a peça mais difícil que tocou na vida.
Até o momento, sabemos apenas quatro músicas de cada suíte, e o restante será revelado na hora. Já fiz uma wishlist das minhas preferidas, e quero comparar depois com as seleções, feitas em parceria com os compositores. E cansei de pensar nas possibilidades e vislumbrar como foram orquestradas. Enfim, mal vejo a hora de assistir e ouvir, já que a primeira vez que li sobre o Symphonic Fantasies foi em novembro de 2008 no SEMO. Haja expectativa!
Abaixo, o set list. Note que cada suíte é intitulada “Fantasy I”, “Fantasy II” e assim por diante: nada mais apropriado que Final Fantasy terminasse o concerto. Além dos links das originais, também coloco o vídeo, agora no Vimeo, da “Fanfare overture”, composta pelo Jonne Valtonen, que abrirá o concerto.
E não se esqueça de visitar o site oficial para entrar os links da transmissão.
Talvez eu seja o único gamer que não estava contando os dias para o lançamento de The Beatles: Rock Band neste cabalístico 09/09/2009. Não só porque sou indiferente para a maioria desses jogos de ritmo ocidentais (japas é outra história), e também porque enfoca uma banda que não sou admirador – revelação que quase me fez ser apedrejado certa vez, como se fosse obrigação gostar, como se fosse a última maravilha musical do mundo.
Desabafos à parte, é evidente que reconheço a popularidade do quarteto e toda a importância na cultura pop que ainda se perpetua na entrada dos anos 2010. Mais incrível, essa influência dos Beatles pode ser percebida nos compositores de jogos, incluindo os que moram bem longe da Grã-Bretanha, no Japão. Não chega a ser uma Yellow Magic Orchestra em termos de preponderância, mas há muitas relações. Diretas e indiretas. Coincidentemente ou não, todos da lista são alguns dos meus favoritos, o que me leva a crer que seja um fã enrustido dos Beatles.
Mais Beatles: Rock Band? Sim, mais Beatles: Rock Band. E não, você não acessou o Gamer.BR, capitaneado pelo multimusical Pablo Miyazawa que vem se dedicando a uma robusta cobertura do game.
No caso, trata-se de uma reportagem veiculada nesta madrugada de 8 de setembro para 9 de setembro (vulgo também dia de lançamento do jogo) no Jornal da Globo.
O vídeo encerrou o programa jornalístico e falou brevemente sobre o título, divagando – ainda que de forma meio tropeçante – no Guitar Idol, belo jogo musical produzido pela Tectoy para Mega Drive que conta com bandas brasileiras, um feito inédito no gênero.
O Gustavo Hitz há muito tempo já sabia, só não queria contar para evitar a fadiga manter a surpresa.
Enfim, neste dia 9 do 9 do 9 de 2009 sai o aguardadíssimo The Beatles: Rock Band. Até pouco antes do anúncio do game o Fab Four de Liverpool era para mim apenas uma grife, um grupo de guris marotos que tomou o mundo de assalto e eu não entendia bem o motivo para tanto frenesi.
Desde então procurei conhecer melhor o grupo e fiquei tão fã a ponto de entoar com emoção boa parte das 45 músicas que compõem o disco de jogo.
Não falta de um motivo mais contundente para falar por aqui sobre o quarteto de ingleses, celebramos a chegada do game com a belíssima abertura e, claro, banners temáticos.
Tem esse aí no topo da página e mais dois logo abaixo que podem ou não aparecer lá em cima também. Perguntei para o maestro qual ele preferia, o da foto em preto e branco ou que tem os fogos de artifício no fundo. Ele disse: “ah, tanto faz, não vou ver mesmo”.
No concerto realizado no primeiro semestre no Berklee Performance Center, a Video Game Orchestra, em sua formação completa, havia apresentado o “Final Fantasy Medley”, com seleções mais recentes.
Na apresentação no IGC East, por sua vez, a VGO Chamber Group, no qual participa parte do grupo, foi executada uma suíte com músicas mais antigas que normalmente representam a série – pena que “Cornelia Castle” e “Ship” continuam no esquecimento. Todas as faixas escolhidas já foram orquestradas, mas há alguns aditivos interessantes, como o baixo elétrico em “Town” e “Chocobo!”, o clímax do medley com solos alternados de clarinete, saxofone e ênfase na percussão, culminando em um breve excerto de “FFVII Main Theme”, adaptado de forma idônea no desfecho.
Além de Final Fantasy V, Final Fantasy VI e Mario Paint, o saxofonista Muta fez um medley homenageando uma das trilhas preferidas dos artistas pró-amadores do Nico Nico Douga: Chrono Trigger.
As opções de músicas são muitas, e Muta preferiu se concentrar em três faixas que totalizam sete minutos, priorizando as composições tranquilas, como a “Peaceful Days”, que se ouve logo no início quando Crono acorda, e a “Memories of Green”, uma releitura branda da “Chrono Trigger”. Para finalizar, há a “Wind Scene”, que ficou agradável, apesar de que para ficar perfeita de fato, a meu ver, somente nas cordas mesmo. No fim das contas, Muta poderia evitar algumas repetições e tocar outras músicas com a mesma duração. Não é tão extraordinário como os vídeos anteriores, mas é interessante.
@thalesnm Legal! Essa é a primeira OST de game music que você compra no Amazon? 1 day ago
@thalesnm Gostei! Tenho mais vontade de jogar que o RE5 (que nem joguei ainda =(). Espero que tenha algum puzzle em meio àquela ação toda... 3 days ago
@thalesnm Olha que não é raro, talvez só não seja tão difundido. 4 days ago
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