Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade

Symphonic Fantasies
Por Alexei Barros

Era bom demais para ser verdade. Um concerto exclusivo da Square Enix com arranjos 100% inéditos presenciado por quatro dos principais compositores nipônicos que passaram pela empresa na Alemanha. Transmitido para todo o mundo ao vivo via streaming em áudio. Em vídeo. Gratuitamente. Parecia uma fantasia ensandecida demais para ser verdade, e de fato foi no dia 12 de setembro de 2009.

Symphonic FantasiesUm ano antes, em setembro de 2008, a ideia do Symphonic Fantasies foi levada à Square Enix pelo produtor Thomas Boecker, como terceira parte do acordo inicial com o administrador da WDR Radio Orchestra Cologne, Winfried Fechner, para a realização de três concertos de games que fossem únicos e distintos dos outros espetáculos. O primeiro, PROMS That’s sound, that’s rhythm (fevereiro de 2008), que mesclou música erudita com Castlevania, Shenmue, Grand Monster Slam e Final Fantasy VIII serviu mais de teste. Era a primeira vez que a WDR Radio executava game music. O segundo, Symphonic Shades (agosto de 2008), prestou homenagem ao compositor alemão Chris Huelsbeck, e o terceiro, Symphonic Fantasies, ofereceria tributo a uma produtora, Square Enix. O sucesso foi tamanho que um novo concerto já foi anunciado para setembro de 2010. A princípio, o Symphonic Fantasies coincidiria com a Gamescon, que acabou passando para os dias 19 a 23 de agosto, deixando o concerto sem o apoio de um grande evento de games. Nem precisava. Ainda em novembro de 2008 ocorreu a revelação, ainda que vaga, e em janeiro de 2009 a confirmação de que as séries Mana, Chrono, Final Fantasy e Kingdom Hearts seriam as selecionadas, e que três compositores (quatro no final das contas) viriam especialmente para a ocasião.

Surpreende que nunca tenha acontecido um concerto da Square Enix no Japão, apenas com apresentações exclusivas de Dragon Quest e Final Fantasy, que estiveram juntas na série Orchestral Game Concert no início da década de 1990, ironicamente quando Square e Enix eram separadas. Por isso, SaGa raramente aparece. Nunca existiram performances em concertos profissionais de Front Mission, Xenogears e Vagrant Story. Das séries de outros estúdios que a produtora faz a publicação, como Star Ocean e Valkyrie Profile da tri-Ace, e Grandia da Game Arts, idem.

Voltando para a Alemanha, as escolhas do quarteto foram baseadas na popularidade local. Isso explica porque a suíte de Mana ficou restrita à Secret of Mana – Seiken Densetsu 3, como o nome mostra, não teve versão em inglês, e Legend of Mana nem foi lançado na Europa. Chrono Cross também não, é verdade, mas o jogo foi poderoso o bastante para superar qualquer deficiência de localização. E sabe quando Chrono Trigger foi lançado oficialmente na Europa? Em 2009! Só agora, na versão de DS.  Se Final Fantasy por si só justifica uma apresentação própria, estaria lá para sustentar as outras séries que não tem a mesma representatividade. Por mais que Kingdom Hearts, Mana e Chrono sejam conhecidas, sozinhas não garantiriam concertos exclusivos fora do Japão – em termos de público mainstream, não de fartura musical, é claro.

Definidas as séries, me intrigava o porquê das músicas não terem sido anunciadas se não no começo, nos próximos meses após a revelação. Resposta: o formato das suítes. “Esse tipo de abordagem aberta se tornou impossível anunciar as músicas de início – simplesmente porque nós nunca podíamos falar se certas músicas planejadas realmente fariam parte do arranjo ou não”, afirma Thomas Boecker. “Nós queríamos total liberdade – e não nos sentiríamos confortáveis em colocar certas músicas simplesmente porque um anúncio antecipado nos obrigaria a fazê-lo”.

Jonne ValtonenLevando em consideração a maioria das favoritas dos compositores, as faixas foram escolhidas imaginando a ordem em que seriam apresentadas em cada suíte, sempre com espaço para alterações. “Durante o desenvolvimento você percebe que as mudanças fazem sentido – e que a ideia original poderia ter sido boa, mas há soluções melhores”, diz. Para o arranjo e a orquestração das músicas, o produtor escalou o finlandês Jonne Valtonen, que teve seis meses para completar a tarefa de grande responsabilidade, afinal mexeria com algumas das mais geniais composições de game music. Ele fez a maior parte do exaustivo trabalho, e no segmento de Chrono Trigger & Cross e no Encore recebeu o amparo de Roger Wanamo, também da Finlândia.

O principal diferencial das suítes do Symphonic Fantasies é que não foram pensadas como medleys convencionais, que possuem uma sequência lógica em que uma música acaba e inicia a outra. Ao longo da peça há diversas interpretações de uma mesma faixa em diferentes momentos, o que exige muito mais criatividade. As músicas não foram simplesmente amontoadas e socadas para caber o máximo possível em segmentos de 17 minutos, mas sim houve um trabalho em cada faixa, com variações na instrumentação e no ritmo que são muito mais complexos do que a maioria das orquestrações que primam pela literalidade. Tudo isso exige um número de ensaios maior (em torno de 14 dias cheios), que o convencional, e só foi possível porque houve tempo suficiente que normalmente inexistiria, por exemplo, em uma turnê de concertos de games com agenda apertada. Também dependeu muito da qualidade suprema da WDR Radio Orchestra Cologne e do WDR Radio Choir Cologne, que totalizam mais de 120 pessoas (cerca de 80 da orquestra e 40 do coral), em perfeito entrosamento com o experiente maestro Arnie Roth, que considerou o Symphonic Fantasies o concerto mais difícil que regeu.

As cerca de 2000 pessoas que assistiram in loco no Philharmonic Cologne Hall tiveram a oportunidade de pegar autógrafos de Nobuo Uematsu, Yasunori Mitsuda, Yoko Shimomura e Hiroki Kikuta. Não é todo dia que se vê o quarteto reunido, principalmente porque hoje todos não trabalham mais na Square Enix. O vídeo abaixo mostra uma fração da experiência do Symphonic Fantasies antes da apresentação. De acordo com a organização do local, nunca houve tantas pessoas numa sessão de autógrafos, e foi elogiado o comportamento sereno dos fãs, sem quaisquer gritos ou escândalos. Além dos compositores, é possível ver em certo momento, próximo de Uematsu, o diretor da Dog Ear Records, Hiroki Ogawa, conversando com o produtor Thomas Boecker.

Ainda é difícil acreditar que a apresentação preparada com capricho durante tanto tempo foi transmitida pela internet – pude ver na melhor qualidade, de banda larga, sem nenhum tropeço na conexão. Geralmente os concertos de games demoram meses para o lançamento em CD ou DVD, isso quando são lançados. As três câmeras da WDR captaram os instrumentistas e coristas em todos os detalhes, com um senso artístico nos enquadramentos que seria difícil de imaginar que não era um DVD. Tem um errinho aqui, outro acolá, mas, puxa vida, era ao vivo, e se esvaem diante de toda a experiência. Incrível ver os compositores na plateia, em especial Hiroki Kikuta, que nunca havia acompanhado antes uma performance orquestrada de uma música dele, e estava fora dos holofotes, compondo trilhas para jogos hentai dos mais obscuros no ocidente.

Depois da extensa introdução, os comentários após o Hadouken sobre cada suíte com links para a essencial apreciação no Goear (ininterruptamente) e YouTube (dividido). Alerto que quando cito o tempo das músicas me refiro ao contador do Goear.

01 – “Fanfare overture (Symphonic Fantasies)”

Composição, arranjo e orquestração: Jonne Valtonen

Symphonic FantasiesTradicionalmente os concertos de games produzidos por Thomas Boecker são inaugurados por uma fanfarra de abertura para concentrar a atenção do público, avisando que a apresentação começou. Em toda a série Symphonic Game Music Concert (2003-2007) este papel foi realizado por uma composição especialmente escrita para a ocasião, com exceção do Symphonic Shades, em que existia uma música do Chris Huelsbeck perfeita para a função: “Grand Monster Slam (Opening Fanfare)”. Para o Symphonic Fantasies, o próprio Jonne Valtonen ficou encarregado de compor a fanfarra que tinha sido revelada antecipadamente em vídeo. A decisão, a meu ver, faz sentido. Não me recordo de nenhuma faixa das quatro séries com as mesmas características, e também seria injusto selecionar apenas uma, deixando as outras três em segundo plano. Falo das quatro séries, porque se for da Square Enix em geral, ou melhor, da parte Enix, “Intro ~ Overture” (Dragon Quest) ou “Opening” (ActRaiser) seriam perfeitas. A peça levou duas semanas para ser composta e, de acordo com o próprio Valtonen em entrevista ao SEMO, é inspirada por nomes como Aaron Copland e John Williams. Ele comentou que procurou não deixar a melodia muito óbvia, para que o foco continuasse nas músicas da Square Enix, pontuadas por melodias marcantes. Diria que a missão foi cumprida com êxito. “Fanfare overture” é uma faixa bonita, com variações agradáveis de metais, flautas e cordas, e não é extremamente chamativa a ponto de desviar o foco do restante do programa.

02 – “Fantasy I (Kingdom Hearts)”

Originais: “Dearly Beloved” (Kingdom Hearts) ~ “Sora” (Kingdom Hearts II) ~ “Hand in Hand” (Kingdom Hearts) ~ “Sora” (Kingdom Hearts II) ~ “Hand in Hand” (Kingdom Hearts) ~ “Kairi” ~ “Sora” (Kingdom Hearts II) ~ “The Other Promise” ~ “Happy Holidays!” (Kingdom Hearts II Final Mix +) ~ “Dearly Beloved” (Kingdom Hearts) ~ “Sora” ~ “A Fight to the Death” ~ “Sora” ~ “A Fight to the Death” ~ “Sora” (Kingdom Hearts II) ~ “Hand in Hand – Reprise -” (Kingdom Hearts)

Composição: Yoko Shimomura
Arranjo e orquestração: Jonne Valtonen

Kingdom HeartsO pandemônio de misturas de universos da série Kingdom Hearts se reflete na trilha sonora, com músicas de Final Fantasy e dos desenhos animados da Disney e as composições preparadas para o jogo da cantora J-pop Hikaru Utada e da mestra Yoko Shimomura. O fato de a suíte abarcar somente as composições da Shimomura garante de antemão que os batidos temas “Hikari -KINGDOM Orchestra Instrumental Version-” e “Passion -KINGDOM Orchestra Instrumental Version” – principalmente o primeiro, nem tanto o outro –, sejam inclusos. Contudo, algumas das favoritas da compositora já foram orquestradas pela Natsumi Kameoka no drammatica – e algumas destas voltaram a aparecer nas releituras de Jonne Valtonen. Não são tão difundidas porque ao vivo foram tocadas apenas no concerto sueco Sinfonia Drammatica, entretanto.

O pianista Benyamin Nuss, de apenas 20 anos, sempre é bom lembrar, entra e se assenta ao piano Steinway posicionado no centro do palco. “Dearly Beloved”, como se poderia imaginar, abre a suíte, mas não é tocada inteiramente. A harpa e a flauta cintilam. O piano, conversando com a orquestra, lembra “Sora”, que fica cada vez melhor. Em seguida, os metais anunciam a “Hand in Hand”, enquanto Nuss faz sensacionais floreios no piano. As madeiras, na companhia dos violoncelos, fazem uma breve alusão de “Sora”, novamente “Hand in Hand”, e logo depois o oboé toca “Kairi”. Um breve solo de piano mantém o tema numa interpretação sem rodeios.

Benyamin NussAs trompas relembram “Sora” e fazem a transição para a tristonha “The Other Promise”. Enquanto as cordas evocam o tema, o pianista segue com mais floreios e faz um novo solo, e a orquestra ressurge maravilhosa. As madeiras seguem tocando a música, com o ressonar dos contrabaixos, e logo ocorre a passagem para a festiva “Happy Holidays!”, com solos de violino em alternância com a orquestra. Cresce e alcança o apogeu, e é repetida até Nuss atingir as notas mais agudas do piano, já dando sequência para “Dearly Beloved”, desta vez completa, com solos comoventes de violoncelo. Na continuidade, a orquestra capta a tristeza da composição.

Flauta e o clarinete fazem uma curta menção à “Sora”, e o tema de batalha “A Fight to the Death”, com passagens virtuosas no piano, é tocada como em uma marcha em interpretação bem menos acelerada que a original (não ficou muito fiel), e entremeada novamente por “Sora”. No final, “Sora” retorna nos metais e a envolvente “Hand in Hand – Reprise -” encerra com o brilho das flautas e nos acordes singelos do piano.

Como o piano impõe uma forte influência em toda a trilha, há uma quantidade de faixas incompatível com o tamanho da suíte. A lista das que utilizam uma veia mais nervosa e se ausentaram estendem-se por “Night of Fate”, “Scherzo di Notte”, “Hollow Bastion” (Kingdom Hearts) e “Deep Anxiety” (Kingdom Hearts II Final Mix +). Lamentei a omissão da jazzística “Traverse Town” (Kingdom Hearts), por ser uma das mais icônicas também. Particularmente, gostei mais da “Happy Holidays!” na versão do drammatica, que abre a “Twinkle Twinkle Holidays”, porque tem um ritmo mais acelerado, e aproveita melhor o clímax da música. Em contrapartida, tenho uma leve preferência pela “The Other Promise” do Valtonen em detrimento da “The Other Promise” do drammatica pela ênfase maior no piano. No mais, uma suíte que capta a alma de Kingdom Hearts em sua fase mais suave.

03 – “Fantasy II (Secret of Mana)”

Originais: “Angel’s Fear” ~ “Into the Thick of It” ~ “Eternal Recurrence” ~ “Angel’s Fear” ~ “Prophecy” ~ “Angel’s Fear” ~ “The Oracle” ~ “Phantom and a Rose” ~ “Angel’s Fear”

Composição: Hiroki Kikuta
Arranjo e orquestração: Jonne Valtonen

Secret of ManaA única suíte baseada em um título, e ainda de um jogo que menos arranjos recebeu no passado – paradoxalmente, é o segmento com menos faixas (seis, desconsiderando as repetições). Os dois arranjos anteriores da “Angel’s Fear” – do Nobuo Kurita para o Orchestral Game Concert 3 e do próprio Jonne Valtonen no Fifth Symphonic Game Music Concert – ignoravam o misterioso som de baleia na introdução. Dessa vez não. O ruído foi reproduzido pelo fagote, enquanto as coristas esfregam as mãos e emitem leves assobios e os contrabaixistas passam os dedos nas cordas para simular o som das águas. Entra o solo de violino do spalla Juraj Cizmarovic da melodia emotiva de “Angel’s Fear”, que na original possui timbre que remete ao piano.

A chuva continua e o coral, em sua primeira participação no concerto, irrompe com potência. Passado o furor, a melodia do tema da tela-título é entoada em latim pelo coro e orquestra numa grandiloquência que não costumaria relacionar com Secret of Mana. E combinou de maneira impressionante. A simpática “Into the Thick of It” surge suavemente com a harpa (fazendo o papel que na sintetizada aparenta ser de um violão), e o violino e a flauta entram. Preferiria que somente a flauta executasse o trecho, dialogando com o violino, não ao mesmo tempo (falo de 4:56 a 5:09), variação que acontece na repetição após a intervenção do coral e os trompetes com surdina. Na sequência, vem a flauta e depois as cordas na “Eternal Recurrence”, infelizmente ignorando a introdução e a preponderância do piano da original. O coral faz mais uma entrada retumbante até culminar na primeira repetição de “Angel’s Fear”.

WDR Radio ChoirO solo de percussão imita o som da Flammie Drum, artefato do jogo usado para conjurar o Flammie Dragon. Ouve-se o gongo, as flautas e o coro realiza a participação mais fabulosa de toda a suíte no excerto da “Prophecy”, na companhia da percussão e dos trompetes com surdina de novo. A música cresce aos poucos até uma versão ainda mais grandiosa de “Angel’s Fear”. Um breve solo de violino precede o insólito tema de combate “The Oracle”, com coral e percussão reproduzindo os ruídos bizarros de uma maneira que nunca poderia esperar – e gostar. Depois do momento faustoso, o solo de harpa e depois a flauta tocam “Phantom and a Rose”, e flauta e violino executam as mesmas notas simultaneamente (14:03 a 14:25) da mesma forma que não me agradou anteriormente. O coral ressurge em seguida num trecho lúgubre, com excertos instrumentais. Para o desfecho, novamente “Angel’s Fear” na interpretação mais monumental. A chuva retorna – estalos dos dedos nos corpos dos instrumentos de corda e o balanço nas partituras passam a impressão dos sons de pingos –, e aquela baleia desaparece no horizonte…

Mais criativo e artístico segmento, como mostram a abertura e o fechamento surpreendentes, é o melhor arranjo de Secret of Mana já concebido, não tem nem comparação, até mesmo pelos 18 minutos de duração. Todavia, arriscaria dizer que a suíte abarca somente uma das facetas da trilha, a parte mais emotiva, e nessa mesma vertente há tantas outras, como as dramáticas “In the Dead of the Night” (daria até para imaginar o coral em 00:52), “A Wish”, “Spirit of Night”, “Now Flightless Wings” e “I Closed My Eyes”. Senti falta, principalmente considerando que a suíte é exclusiva de Secret of Mana, das músicas mais agitadas e/ou animadas, como “The Color of the Summer Sky”, “Calm Before the Storm”, “Flight Into the Unknown” e especialmente “Leave Time for Love” e “The Second Truth from the Left”. Para não esquecer da genial linha melódica do caótico tema de combate de chefes “Danger”, que é ouvida por várias vezes durante a aventura e me marcou sobremaneira quando joguei. Considerando o resultado final que, como disse, é fascinante, talvez só se a suíte tivesse 49 minutos tal como o histórico secret of mana+ para comportar todas as minhas prediletas.

04 – “Fantasy III (Chrono Trigger & Cross)”

Originais: “A Premonition” (Chrono Trigger) ~ “Scars of Time” (Chrono Cross) ~ “Chrono Trigger” ~ “Battle with Magus” (Chrono Trigger) ~ “Scars of Time” (Chrono Cross) ~ “Peaceful Days” ~ “The Royal Trial” (Chrono Trigger)  ~ “Gale” ~ “The Brink of Death” ~ “Gale” (Chrono Cross) ~ “Battle with Magus” (Chrono Trigger) ~ “Prisoners of Fate” (Chrono Cross)  ~ “To Far Away Times” “A Premonition” (Chrono Trigger)  ~ “Scars of Time” (Chrono Cross) ~ “Battle with Magus” ~ “Frog’s Theme” (Chrono Trigger)  ~ “Scars of Time” (Chrono Cross)/“Chrono Trigger” (Chrono Trigger)

Composição: Yasunori Mitsuda
Arranjo e orquestração: Jonne Valtonen e Roger Wanamo

Chrono TriggerMuitos concertos tocaram músicas de Chrono Trigger e Cross, mas nenhum tocou como o Symphonic Fantasies. Direto ao assunto: “A Premonition” abre a suíte no piano e quando mal termina se escuta a introdução de “Scars of Time”. O tema de abertura de Chrono Cross é um dos mais inusitados em termos de instrumentação, com shakuhachi, shinobue, violão, bouzouki, baixo, teclado, percussão e cordas (violinos, viola e violoncelo). Como na maioria das apresentações, a parte elétrica foi eliminada (teclado e baixo). Até mesmo o violão, comum nas performances ao vivo, foi igualmente excluído, e como o bouzouki, teve a parte reproduzida pela harpa. Perfeito!

O trecho do shakuhachi na introdução, normalmente feito por uma flauta, aqui é executado num diálogo entre flautim e flauta, que mostra o talento de Valtonen ao rebuscar uma música que já era irretocável. Quando começa a parte mais acelerada, Rony Barrak faz a sua primeira participação na darbuka, e depois surge o solo de violino – atente para o curtíssimo fragmento de “Battle with Magus” nos metais (1:20 a 1:22). O tema principal “Chrono Trigger” surge em toda a sua glória nos trompetes, e a “Battle with Magus” é usada na transição para retardar o ritmo e alcançar a “Scars of Time”, desta vez no oboé. A trompa anuncia a alegria de “Peaceful Days” nas cordas majestosas, e o júbilo logo se transforma no pânico assustador da parte mais sombria de “The Royal Trial”, que acelera até o silêncio.

Toda a atenção se volta para o violino de Juraj Cizmarovic nas primeiras notas do tema de combate “Gale” (Chrono Cross), logo acompanhado pela percussão – na original, teclado e baixo elétrico desempenham papel importante, e nem senti a ausência. “Gale”, aliás, que é uma música originária do Radical Dreamers. Depois ocorre uma transição tão sutil (6:50) para o tema de chefe “The Brink of Death”, que, confesso, na hora nem reparei. Os percussionistas emitem sussurros imitando os gritos escabrosos da original, e como se nada tivesse acontecido, o spalla volta a solar a “Gale”, numa interpretação que salienta a influência de música indiana.

Rony BarrakNum novo solo de Cizmarovic que evoca a “Battle with Magus” é feita a melancólica passagem para “Prisoners of Fate”. Sempre imaginei que o tema da batalha contra Miguel ficaria magnífico orquestrado. Mas não tanto. Contrição completa. Quando você acha que a música chegou ao fim, ela volta de novo. Só que acompanhada pelas ressonâncias memoráveis de “To Far Away Times”. Que maravilha! Em seguida, “A Premonition” e “Scars of Time” são usadas para a transição de “Battle with Magus”, que, depois, de ameaçar tantas vezes, finalmente é evocada com todo o impacto. Os trompetes e tímpanos declaram a chegada da melódica “Frog’s Theme”, tocada nas cordas de maneira requintada, e pela flauta e oboé. Para finalizar com maestria, “Scars of Time” e “Chrono Trigger” são tocadas. Ao mesmo tempo. A sobreposição das duas melodias cria um efeito sensacional, que encerra de maneira honrosa no ápice do tema principal.

Até então, o posto de melhor peça orquestrada da série estava no medley do Press Start 2008, que só havia conseguido ouvir em um bootleg da apresentação chinesa. Não tem nem comparação com essa suíte do Symphonic Fantasies, que assume a liderança disparada. Por mais que achasse interessante a “Lost in Time”, com os misteriosos contrabaixos e trechos dissonantes, ou o supra-sumo da agonia “The Girl Who Stole the Star” (talvez levaria à depressão profunda se enxertada após a sequência “Prisoners of Fate” e “To Far Away Times”), a seleção das músicas de Chrono Cross foram as que mais me agradaram. Afinal, a trilha do jogo não pode ser resumida a “Scars of Time” e “Radical Dreamers” (que não apareceu e nem fez muita falta).

Falando de Chrono Trigger, “Robo’s Theme” e “Black Omen” continuam sendo sonhos distantes, mas, em contrapartida, “Peaceful Days” e “The Royal Trial” nunca tinham sido arranjadas antes. Curiosamente, a “Wind Scene”, que costuma figurar entre as preferidas dos fãs, não foi lembrada, e assim como a “Guardia Millenial Fair”, continuam exclusivas do “Chrono Trigger Medley ~ Orchestra Version”. Talvez a “Fanfare 1 (Lucca’s Theme)” pudesse ser implementada de alguma maneira, já que tem uma significância especial por aparecer em ambos os jogos, e em Chrono Cross há ainda duas variações: “Victory ~Spring’s Gift~” e “Victory ~Summer’s Cry~”.

Mas esta é a melhor suíte do concerto para mim, porque conseguiu, em 17 minutos, reunir o máximo possível de músicas, sem, é claro, espremê-las de maneira forçada, com uma seleção variada de faixas que mescla boas novidades e os temas mais representativos sob uma nova perspectiva.

05 – “Fantasy IV (Final Fantasy)”

Originais: “Prelude” (Final Fantasy) ~ “Those Who Fight” ~ “One-Winged Angel” (Final Fantasy VII) ~ “Chocobo!” (Final Fantasy II) ~ “The Mystic Forest” (Final Fantasy VI) ~ “Clash on the Big Bridge” (Final Fantasy V) ~ “Final Fantasy” (Final Fantasy) ~ “Chocobo!” (Final Fantasy II) ~ “Bombing Mission” (Final Fantasy VII) ~ “Final Fantasy” (Final Fantasy)

Composição: Nobuo Uematsu
Arranjo e orquestração: Jonne Valtonen

Final Fantasy VIIAdianto que, por mais que Shiro Hamaguchi tenha se projetado como o arranjador da série Final Fantasy, aprecio ainda mais o trabalho da dupla Katsuhisa e Takayuki Hattori, pai e filho, no primeiro concerto da série, Symphonic Suite Final Fantasy (1989), com arranjos majestosos que sabiam utilizar muito bem o coral em músicas que originalmente não tinham a menor referência de timbre de vozes, como a “Scene VII”. Para minha alegria, Valtonen utilizou o mesmo recurso 20 anos depois.

Como se poderia prever, a “Prelude” abre a suíte de uma forma parecida com a “Prelude” do Voices: music from Final Fantasy, com harpa e depois coral, mas adicionando os enfeites de flauta como na versão do “Scene V ~Prelude~”, e de maneira ainda mais inspirada. Dois minutos depois da viagem etérea, fatalmente reconheço as primeiras notas de um certo tema de batalha…

Para tudo. “Those Who Fight” do Final Fantasy VII? Com coral? Em latim? É de arrepiar. É uma das melhores coisas que já ouvi de game music. Possivelmente o apogeu de todo o concerto. O fato de a música não estar na relação das quatro reveladas  me causou um chofre ainda maior, porque realmente não esperava. Nem preciso dizer que superou a versão do medley “Fullfilled Desire” (de 4:00 a 5:26) do Crisis Core: Final Fantasy VII ou qualquer outra.

WDR Radio ChoirLatim e FFVII nos leva à “One-Winged Angel”, mas era um alarme falso de poucos segundos, que, na realidade, segue para a cômica “Chocobo!”, essa sim, que imaginava desde o início. O divertimento logo se transforma em mistério com a aparição de “The Mystic Forest”, muito provavelmente a escolha mais ousada da suíte. Em se tratando de Final Fantasy VI, é difícil não esbarrar em alguma parte da ópera, “Dancing Mad”, “Terra’s Theme” ou nos temas dos outros personagens (meu preferido é “Edgar and Sabin” só para registrar). Ainda mais porque a música jamais foi tocada em um concerto da série, e foi arranjada somente no álbum Final Fantasy VI Grand Finale – esta “The Mystic Forest” é uma versão insípida da dupla Tsuneyoshi Saito e Shiro Sagisu, que, aliás, é ex-integrante do T-Square. Novamente com o suporte do coral, a suíte acalma nesse extenso trecho assustador.

Precisa mesmo porque na sequência chega o momento que demorou 17 anos para ser realizado: a subestimada “Clash on the Big Bridge” orquestrada. A versão do “Clash on the Big Bridge ~FFXII Version~” não considero muito porque, apesar de ter timbres de instrumentos reais, ainda é sintetizada. O arranjo do Jonne Valtonen supera: a introdução é feita nas cordas e flautas, claro que numa velocidade menor que na original, e os metais faustosos, na companhia da percussão, reproduzem a música, enquanto o coral aos poucos realiza a invasão da melódica faixa.

Com os metais e os tímpanos, “Final Fantasy” é lembrada, mas é invadida por “Chocobo!”… de novo? E numa interpretação ainda mais pitoresca, com a participação do coral. Desnecessária a repetição, não só porque a primeira aparição do tema já era suficiente, como essa segunda vez é baseada na mesma original e não em alguma outra das variantes: “Samba de Chocobo!” (FFIV), “Mambo de Chocobo” (FFV), “Techno de Chocobo” (FFVI), “Waltz de Chocobo” (FFVII), “ODEKA ke Chocobo” (FFVIII), “Aloha de Chocobo”, “Ukule le Chocobo” (FFIX), “Brass de Chocobo” (FFX)…

Ao menos essa parte acaba rápido, e logo é emendada na bombástica (não consigo arranjar adjetivo mais adequado) “Bombing Mission”, sem a parte “Opening” como acontece em todos os concertos desde que estreou no Tour de Japon. Com coral é a outra história. Retumbante. Depois disso, enfim, “Final Fantasy”, agora sem o risco de ser consumida pelos chocobos, surge em sua onipotência, novamente com o indispensável acompanhamento do coral em latim – algo que nunca havia sido feito. Embora achasse que seria perfeito o encerramento da “Ending Theme” (FFVI) a partir de 20:16, até mesmo porque vem logo depois da parte do tema principal, o desfecho da suíte ocorreu com um trecho original, que você deve se lembrar do início. Exato, há fragmentos da “Fanfare overture” de Jonne Valtonen, encerrando o concerto com as mesmas notas da abertura. Um final apoteótico e tanto.

Seria até mesquinho começar a reclamar de faixas esquecidas que gostaria de ouvir na suíte dentre as mais de 500 composições do Uematsu da série, sobretudo porque a inédita que mais desejava foi inclusa – “Clash on the Big Bridge”. Contudo, se “Prelude”, “Chocobo!” e “Final Fantasy” são os temas mais icônicos da série, colocaria no mesmo patamar a “Fanfare”, que poderia ser facilmente implementada como a suíte possui dois temas de combate. A “Victory Fanfare ~FFXII Version~”, que inclui um timbre de coral, me faz aumentar a vontade.

Eu que sou ferrenho favorável pelas trilhas antigas do Uematsu, não senti a ausência de FFVIII, FFIX, FFX, FFXI e FFXII, principalmente porque esses jogos novos tomam conta dos concertos mais recentes da série. Mas lamentei um pouco por FFIV. Imaginaria a “The Dreadful Fight” e principalmente a “Red Wings”, já arranjada no Orchestral Game Concert 1, caminhando naturalmente para a “Bombing Mission”. A preferência por FFVII, o único episódio com duas músicas, espelha a popularidade descomunal do jogo, e já tinha enorme apreço das escolhidas anteriormente. Com coral ficaram avassaladoras.

06 – “Encore (Symphonic Fantasies)”

Originais: “Destati” (Kingdom Hearts) ~ “Meridian Dance” (Secret of Mana) ~ “Lavos’ Theme” (Chrono Trigger) ~ “One-Winged Angel” (Final Fantasy VII)

Composição: Yoko Shimomura, Hiroki Kikuta, Yasunori Mitsuda e Nobuo Uematsu
Arranjo e orquestração: Jonne Valtonen e  Roger Wanamo

Square EnixEncore! Encore! Encore! O público clamou por bis, e os pedidos foram atendidos. Confesso que não esperava mesmo por esse segmento adicional pelas limitações de tempo, e só acreditei quando vi o close na partitura. Reunindo temas de batalhas finais das quatro séries, o número difere das suítes porque tem o formato de um medley habitual.

A faceta pomposa de Kingdom Hearts se manifesta na abertura, com a “Destati”, que havia sido orquestrada pela Natsumi Kameoka no drammatica e tocada no Sinfonia Drammatica. Nesta versão há o aditivo da percussão de Rony Barrak, e o tempo está um pouco mais acelerado, preservando a potência do coral. Na transição, os coristas emitem bramidos, vem o nervosismo das cordas e chega a próxima música…

“Meridian Dance”, que sempre sonhei orquestrada. No entanto, uma parte considerável da original não foi tocada (de 0:12 a 0:56), incluindo a alucinante progressão harmônica que inicia em 0:45. Talvez se esse excerto em especial aparecesse quebraria o ritmo agitado do medley. Ao menos a parte que foi tocada é estupenda. A música volta para a introdução, aumenta de ritmo até a…

“Lavos’ Theme”, outra jamais arranjada – “World Revolution” poderia ser uma escolha mais interessante, já que também faz referências ao tema de Lavos. O timbre de órgão da original é feito da melhor maneira possível: no órgão de tubo posicionado à esquerda do anfiteatro. O coral, novamente em latim, confere a imponência à música mais pausada, preparando o terreno para…

Arnie Roth“One-Winged Angel”. E dessa vez não é alarme falso. A parte da orquestra na introdução é interrompida pelo solo de darbuka de Ronny Barrak, que preserva as batidas da música, faz uma viagem, e aos poucos retorna às batidas do tema em um ponto mais avançado, próximo do encerramento, devolvendo a performance para a orquestra. Nos versos finais “Sephiroth / Sephiroth”, Barrak continua estruturando a música na percussão, e no momento em que o coral cantaria o último “Sephiroth” há um prolongamento original. Não senti a amargura que me acometeu em outras oportunidades. O problema para mim não é sempre tocar a “One-Winged Angel”. O problema é sempre tocar a mesma versão da “One-Winged Angel”. Primeiro, não foi executada em sua inteireza (não há, por exemplo, a parte dos versos iniciais “Estuans interiusira / vehementi”). Segundo, finalizou um medley e não apareceu em um segmento próprio. Terceiro, teve o acompanhamento da darbuka. Por último, há o desfecho alternativo. Bem verdade que a parte da orquestra ficou parecida com o arranjo do Shiro Hamaguchi, mas dentro do contexto mencionado eu não vi tanto problema.

Fantasias eternas

Contratempos comuns em concertos de games, como desencontros, desafinações e transições súbitas não se aplicam ao Symphonic Fantasies. Aliás, não há uma passagem sequer (e não são poucas) que tenha me descontentado. Do início ao fim, a performance foi impoluta e, como resultado, os quatro compositores adoraram o espetáculo.

Em linhas gerais, as seleções mesclaram, até mais do que esperava, as músicas populares com obscuras. Claro que há muitas, entre famosas e negligenciadas que lamentei a ausência como comentei no texto, mas desde o princípio sabia que seria impossível que todas as minhas favoritas fossem incluídas. Além do mais, a preferência por determinadas músicas é um conceito subjetivo. Determinadas composições que me marcaram dessas quatro séries não significam nada para muitos fãs, como percebi em wishlists nos fóruns. E vice-versa. Pode parecer óbvio, e é: impossível agradar a todo mundo. Mas em parte porque sou chato.

Symphonic Fantasies

O principal diferencial, sem dúvidas, foi a implementação do formato de suítes, conceito timidamente adotado em outras apresentações (como o Symphonic Suite Final Fantasy), mas nunca com segmentos tão extensos de 17 minutos. Em nenhum momento fiquei com a sensação de que a performance estava arrastada. Pelo contrário, para mim esse tempo passou rápido demais em todas as suítes.

Se fosse apenas por isso, o Symphonic Fantasies já teria o seu espaço cravado entre os maiores concertos de games da história. A cereja do bolo, com o perdão do clichê, foi a inédita transmissão ao vivo em vídeo pela internet com músicas de uma empresa que não é fácil de lidar na questão de direitos autorais. Por isso, a apresentação adquiriu uma abrangência de público sem precedentes. Quem não assistiu na hora podia ver poucas horas depois no YouTube. Apesar de todas as músicas já estarem à disposição, o lançamento de CD (sonho até com uma suíte nova gravada em estúdio) ou DVD (entrevistas com os compositores e bastidores seria sensacional), é muito bem-vindo. Como o Symphonic Shades, cada música deve ser apreciada várias vezes para a plena apreciação. As suítes escondem diversos segredos que podem passar batidos de primeira (desvendei alguns deles enquanto fazia o texto) e, definitivamente, só melhoram a cada ouvida.

Muito agradecido ao produtor Thomas Boecker pelas informações, fotos, atenção e paciência.

31 Responses to “Symphonic Fantasies: as fantasias que se tornam realidade”


  1. 1 Farley 25/09/2009 às 3:44 pm

    Bela análise!
    Eu não pude assistir ao vivo, mas conferi depois no youtube e gostei muito de tudo que ouvi.

    Como eu já tinha me expressado no twitter, senti falta de composições do Seiken Densetsu 3 e Seiken Densetsu: Legend of Mana, mas é como você tinha me respondido lá mesmo no twitter.

    Não tinha visto esse encore (nem sabia que existia), gostei muito. Destati ficou ficou bem interessante com essa percursão. One Winged Angel eu gostei também, por ser um arranjo alternativo (e um tanto quanto ousado na minha opinião).

    E é realmente marcante o fato de ter sido transmitido ao vivo para todo o mundo, vamos torcer pra que vire tendência =D

  2. 2 DGC 25/09/2009 às 5:16 pm

    Realmente inesquecível…
    Ah se ao menos um certo maestro nos disponibiliza-se umas MP3s…
    heheheh

  3. 3 Orakio "O Gagá" Rob 25/09/2009 às 5:58 pm

    Bravo, mestre, bravo! Adorei a análise!

    Eu vi o concerto na hora, mas vendo post tão detalhado achei que seria um bom momento para ouvir tudo de novo. Botei o som para rolar no GoEar e fui lendo os comentários, acho que a experiência foi ainda melhor. E lá vou eu fazer hora extra no trabalho outra vez… Muito, muito bom, o concerto e o post.

    Eu não sou lá muito chegado na trilha do FFVII, acho meio “cinza” demais. Mas compartilho da sua opinião, a “Fighting” foi o grande momento, fiquei muito surpreso. O bloco de Secret of Mana como um todo foi o meu favorito (e pensar que até hoje eu mal joguei o danado). O espetáculo inteiro foi esplêndido, se sair mesmo um DVD eu estou dentro.

    Minha única crítica também é quanto à ausência do FFIV, cuja trilha continua sendo a enjeitadinha da série. Mas nesse sentido eu sou do seu time, e se fosse elencar ausências os músicos iam tocar por tantas horas seguidas que iam precisar tomar soro durante a apresentação. Já pensou a turma dos violinos com aquele saquinho pendurado ao lado?

  4. 4 Alexo Mello 26/09/2009 às 12:56 am

    Fantástica apresentação, fantática postagem! Uau!

  5. 5 Alexei Barros 26/09/2009 às 1:03 am

    @ Farley

    Exatamente! A parte das trilhas de Mana é complicada porque já envolveu vários compositores, então também acho que seria difícil criar uma unidade entre Seiken Densetsu 3 e Legend of Mana e mais ainda se colocarmos na lista o Sword e o Dawn of Mana, que têm músicas do Kenji Ito. Talvez por ser a única suíte de um só jogo seja um dos motivos para a parte do Secret of Mana ter se tornado a preferida de muita gente – e de muita gente que nem gostava da trilha original. Aliás, para você ver o que não fazem as deficiências de localização, só fui notar em um relato alemão que lá o Secret of Mana é muito mais popular do que Chrono Trigger.

    E interromper a “OWA” para um solo de darbuka, um instrumento incomum para uma orquestra sinfônica, é de fato uma decisão ousada, por mais que o Rony Barrak já tenha se tornado uma figura carimbada nos concertos de games.

    Assim espero: ver a apresentação marcada para 24 de setembro de 2010 ao vivo!

    @ DGC

    Opa, aqui e aqui. Não estranhe os diferentes bitrates, é que tive que misturar três gravações distintas para ter a versão definitiva porque a minha ficou zuada em alguns pontos e nas outras o som estava baixo demais. Ah, eu limei os aplausos, mas na suíte do Final Fantasy não deu porque senão cortaria o finalzinho da música. Melhor que isso só o CD. :D

    @ Orakio

    Valeu pela paciência para ler tudo, Orakio! E mal por esse ser o motivo da hora extra!

    Interessante o que você falou sobre a trilha do FFVII. Também não sou muito chegado, mas das mais novas ainda é a minha preferida, e já gostava, como disse no texto, das duas escolhidas, em especial o tema de combate. Se um dia fizerem o remake do jogo serão obrigados a colocar essa versão.

    A trilha do FFIV com certeza é uma das mais injustiçadas. Talvez nas minhas preferências só perca para o FFVI. Até mesmo os Black Mages só arranjaram duas faixas nos três álbuns já lançados. Mas um concerto ainda há de tocar “Kingdom Baron”, “Into the Darkness”, “Fight 2″, “The Dreadful Fight”, “Ring of Bomb”, “Rydia”, “The Airship”, “The Big Whale”, “Within the Giant”, “The Final Battle”… *procurando uma música ruim*

    Já imagino os instrumentistas tendo lesões por esforço repetitivo e tomando soro. :D

    @ Alexo

    Valeu também pela paciência para ler tudo, hehe!

  6. 6 fezones 26/09/2009 às 10:20 am

    Para uma apresentação fantástica, um post a sua altura. E que deveria debutar a categoria serviço Hadouken de utilidade pública xD

    Agora vamo que vamo baixar essas MP3!

  7. 7 Sir Kao 26/09/2009 às 7:39 pm

    Meu deus, esse post poderia virar um livro, de tão detalhado, congratulações meu caro.

    Eu também assisti à Symphonic Fantasies ao vivo graças as divulgações do Hadouken e do Gagá Games, liguei meu PC na TV e tentei aproveitar ao máximo já que não estava lá.

    Por outro lado, também concordo que One Winged Angel já é muito medalhão, e deveriam começar a dar destaque a outras músicas de Final Fantasy VII. Porém, fiquei feliz com a execução de Final Fantasy V, que é uma das minhas trilhas prediletas da série.

    Pode ser utópico, mas espero, como todos, que um dia o Brasil seja agraciado com essas grandes orquestras.

  8. 8 Alexei Barros 26/09/2009 às 8:21 pm

    Valeu pelo prestígio, Sir Kao! E também, como disse nos outros comentários, pela paciência por ler tudo.

    Sobre a “One-Winged Angel” é uma música que adquiriu uma popularidade incomensurável entre o público casual. Pelo que estava acompanhando no fórum do Square Enix Music Online, muitas pessoas compareceram no concerto apenas para vê-la, e sairiam furiosas caso não fosse tocada. Acho que dos 2000 que estavam lá, suponho que uns 100 devem ser hardcore. Como disse, da forma com que foi tocada não senti o desgosto de outras apresentações.

    Falando do FFVII, eu fiquei feliz com as escolhas, como comentei.“Aerith’s Theme” seria manjadíssimo, mas as duas selecionadas eu curti. Claro que tem muitas outras ainda, a exemplo da “Cid’s Theme” que o Radical Dreamer havia me lembrado. Mas como é o jogo mais popular da série aumenta a chance de aparecer alguma coisa na turnê Distant Worlds. Nem preciso repetir o quanto gostei da inclusão da “Clash on the Big Bridge”.

    Não querendo ser pessimista, mas pelo que o Thomas me disse, muitas pessoas estão pedindo que o concerto seja apresentado em outros países e tal. Só que para fazer as apresentações, é difícil encontrar uma orquestra com a qualidade e disponibilidade da WDR Radio – foram 14 dias de ensaios!

  9. 9 Alexo Mello 27/09/2009 às 12:04 am

    Bom, eu já estaria beeem satisfeito se alguns desses CDs fossem impressos aqui e vendidos com os preços dos discos “comums” (não importados). Humpf…

  10. 10 Alexei Barros 27/09/2009 às 9:47 am

    Concordo perfeitamente, Alexo. Ainda falta MUITO para considerar que tenhamos algo próximo do prestígio de game music dos EUA – nem falo do Japão porque não existe outro país igual.

  11. 11 Radical Dreamer 27/09/2009 às 12:07 pm

    Muito bom o artigo, Alexei. Fico até um pouco triste de pensar que o concerto já foi. Poucos são os concertos que trazem inovações como este aqui. Minhas únicas críticas são a falta de mais músicas inéditas no segmento do Kingdom Hearts e o ruim arranjo da “A Fight to the Death”, além da dupla aparição do tema do Chocobo e da manjadíssima “One Winged Angel”. No mais, foi tudo excelente. Nunca pensei que a suíte do Secret of Mana, cujo representante é o jogo com que tenho menos afinidade, se tornaria a minha suíte predileta, já que o experimentalismo e o som mais orgânico retratam e dão vida ao mundo de Mana perfeitamente. A mistura do tema de “Scars of Time” e de “Chrono Trigger” também foi arrepiante, assim como a interpretação da “Prisoners of Fate”, “Phantom Forest” e da surpresa que foi o arranjo da “Fighting”, poderosa. Bom, agora é ficar no aguardo pelo CD e por vídeos no Youtube do A Night in Fantasia 2009 e a apresentação da “Dancing Mad” e “Jenova” no Distant Worlds.

  12. 12 Alexei Barros 27/09/2009 às 3:21 pm

    Valeu, Radical Dreamer! O único problema do Symphonic Fantasies é que não existe um concerto desse por mês sendo transmitido ao vivo pela internet. :D

    Como sempre, eu estava acompanhando as discussões no fórum do SEMO e concordei com aquilo o que você disse sobre a “The Other Promise” e a “Happy Holidays!”, que já estava no drammatica e apareceram de novo e teoricamente ambas são menos conhecidas pelos fãs hardcore por serem do Kingdom Hearts II Final Mix +. A minha impressão é que a Shimomura adora essas duas músicas: lembre-se que ela participou da seleção de faixas do drammatica e do Symphonic Fantasies. A “The Other Promise” mais ainda, como também está na Piano Collections Kingdom Hearts.

    A “A Fight to the Death” notei que não agradou muitos fãs, e concordei também que não ficou muito fiel o arranjo. Como disse no texto, não curti a dupla aparição dos chocobos – essa parte e o primeiro surgimento do tema principal poderiam ser substituídos por uma outra música diferente. “One-Winged Angel” não vi tanto problema, mas como hardcore claro que preferiria uma faixa inédita, ainda que os fãs casuais ficassem revoltados.

    “Prisoners of Fate” ficou de fato soberba, magistral. Também estou curioso para essas novidades do Distant Worlds, e uma pena que seja tão difícil de encontrar reports detalhados do A Night in Fantasia 2009. Os australianos ficam devendo em relação aos japoneses.

    Outro concerto que gostaria que tivesse é o Games in Concert na Holanda. Nem sei se vai ter a essa altura do campeonato.

  13. 13 Julio 27/09/2009 às 4:59 pm

    Eita, este post é tão bom que merecia ser matéria de capa em revista de grande circulação, parabéns!

    E quem me dera ter paciência para escrever um desses, cheio de links e referências e o escambau todo… Principalmente o escambau!

  14. 14 captain falcon 27/09/2009 às 6:42 pm

    Muito bom mo texto.
    Li tudo, ouvi tudo.
    Tenho algumas colocaçoes:
    Clash on Big Bridge ficou do caralho. Eu nem gosto da one winged angel, preferia uma inedita.
    A suite do chrono ficou sensacional.
    Gostei da suite do mana tambem.
    Agora kigdom hearts nao me liguei mto, porque tambem nao conheço direito as musicas.

    Otimo texto.

  15. 15 Alexei Barros 27/09/2009 às 11:21 pm

    @ Julio

    Valeu! Claro que levou tempo para escrever tudo, mas com certeza a parte mais sacal é colocar os links do Goear – isso que a maior parte das composições já estava disponível, foram poucas que precisei subir. Porém, sempre que vejo o resultado final percebo que valeu a pena – é muito mais prático, já que nem todo mundo tem a obrigação de relacionar o nome da faixa com a música.

    @ Captain Falcon

    Valeu também! Claro que gostei da “Clash on the Big Bridge”, mas acho que de modo geral fiquei mais impressionado com a “Those Who Fight” do FFVII.

  16. 16 erikamth 13/07/2010 às 6:51 pm

    Excelente post! Vou comprar o CD, está decidido. rs. :)

  17. 17 David 05/01/2012 às 11:27 pm

    eu quero saber onde posso encontrar arranjos mais eu estou procurando o medley de chrono croos tiger eu chevo dia procurando un arranjo para orquestra preciso de ajuda…

  18. 18 David 05/01/2012 às 11:30 pm

    nao tem importancia sim custa algo de dinhero por favor ajuda..


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