
Por Alexei Barros
Enfim foi revelado em mais detalhes o concerto de games que tenho mais expectativa em 2009. Concerto que não verei e muito provavelmente nem ouvirei. E se escutar deve ser com qualidade inferior. Então por que se empolgar com algo tão distante?
Press Start ~Symphony of Games~ é o pináculo da nostalgia auditiva. Não se restringe somente em reproduzir músicas gravadas em estúdio ao vivo. A maioria dos segmentos é formada por arranjos exclusivos que entrelaçam faixas já orquestradas, como o medley do Super Mario Galaxy em 2008 que envolveu quatro temas, ou que reúnem orquestrações de composições antigas, a exemplo de obras-primas como “Shooting Medley” em 2007, ainda que inegavelmente as transições abruptas venham se tornando uma marca negativa.
O repertório é simplesmente imbatível. E também o mais abrangente de que se tem notícia, com músicas de diversificadas produtoras: Konami (Metal Gear Solid 2, Zone of the Enders: 2nd Runner, Castlevania), Capcom (Ace Attorney, Monster Hunter, Mega Man 2), SEGA (OutRun e Sonic), Namco (Ace Combat Zero), Falcom (Ys), SNK (Samurai Shodown), Sony (LocoRoco, ICO, Shadow of the Colossus), Nintendo (Mario, Zelda, Mother, Fire Emblem, Super Smash Bros. Brawl), Square Enix (Final Fantasy, Chrono, Kingdom Hearts, Romancing SaGa)…
Dito isso, não tenho mais dúvidas de que a série Press Start já superou, pelo menos em variedade, a antológica saga Orchestral Game Concert (1991-1995) pioneira ao reunir jogos de diversas empresas, mas limitado, em sua maioria, a Nintendo (Mario, Zelda, Super Metroid, Donkey Kong Country, Star Fox, Earthbound, Kirby, Stunt Race FX, Sim City), Squaresoft (Final Fantasy, Seiken Densetsu, Chrono Trigger), Enix (Dragon Quest, Paladin’s Quest, Lennus II, EVO: Search for Eden), Koei (Romance of the Tree Kingdoms, Nobunaga’s Ambition, Uncharted Waters) e ASCII (Wizardry). Comparo as duas porque não houve um concerto japonês de várias franquias no interregno entre 1996 e 2005.
Diferentemente do OGC, as apresentações do Press Start não foram publicadas em CD. O motivo mais provável para a inexistência da gravação oficial é o entrave de direitos autorais encabeçado por Square Enix e Nintendo, que não permitem o lançamento de discos com músicas de outras empresas.
O que resta? Os bootlegs. Como já disse, não é apenas ouvir a reprodução de faixas originais com reverberação, mas testemunhar jóias exclusivas que se perderiam no tempo. Exemplo: “Splash Wave” do OutRun orquestrada em 2006. Aliás, o fato de ficar estupefato – ao menos falo por mim – somente ouvindo uma gravação amadora, com toda a limitação de captação de áudio, mostra a genialidade do concerto. Se em 2006 e 2007 (e das duas apresentações, realizadas em Osaka e Yokohama) pudemos conhecer os arranjos por clemência de uma alma caridosa, em 2008 não tivemos a mesma sorte, pelo menos até agora, uma vez que os ingressos acabaram em questão de horas, impossibilitando a presença do bootlegger dos anos passados. Parte da frustração foi minorada pela versão chinesa, que mostrou não só set list diferente, como esteve longe de repetir a primazia nipônica.
Após o extenso intróito, vamos finalmente para as informações da quarta edição da série produzida por Nobuo Uematsu, Shogo Sakai, Kazushige Nojima, Masahiro Sakurai e Taizo Takemoto. O Press Start 2009 ~Symphony of Games~ acontecerá no dia 2 de agosto, um domingo, com performance da Tokyo City Philharmonic Orchestra, a mesma do Press Start 2006, no Tokyo Metropolitan Art Space, local onde ocorreu recentemente o Monster Hunter Orchestral – 5th Anniversary Concert. Para evitar que o esgotamento instantâneo de ingressos se repita, serão realizadas duas apresentações nesse mesmo dia, a primeira às 14 horas locais e a outra às 18:30. Há entradas de 5.500 ienes (em torno de 118 reais) e 7.500 ienes (161 reais).
Em vez de revelar segmento por segmento tal qual em 2008, modelo que em muito me agradou, em 2009 já foi anunciada meia-dúzia, permanecendo a dúvida de como serão apregoados os restantes: um por um ou em grupos de seis. Em alguns casos, até mesmo as faixas foram detalhadas. Três estão relacionados com a Nintendo, então suponho que nada mais da produtora deve aparecer, ou seja, não será esse ano que haverá Metroid ou Donkey Kong. Eis as seleções após o Hadouken:
Agradecimentos ao Fabão pela descoberta transmitida pessoalmente e pelos detalhes na tradução.
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