Gratidão a Kojima

Por Claudio Prandoni

Confesso que estava me segurando para não fazer um post sentimental e babóide como esse, mas o momento não permite. Preciso destilar meu fanboyismo peçonhento e que lugar melhor para isso do que um blog?

A exemplo do mestre Fabão, na última madrugada cheguei ao desenlace de Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots. Ao contrário dele, que desfruta imensamente de cada game que zera, eu sou do tipo que não enrola muito. Ou talvez tenha um gene recessivo de detonador, sei lá, algo do tipo. Mesmo parando para olhar detalhes que chamam minha atenção, morrendo muito, usando continues e testando diversas maneiras de resolver situações, encerrei a jornada derradeira de Solid Snake com 16h28m36s.

Mas não é exatamente sobre isso que quero falar. Como já é de se esperar, quero exaltar a obra. Mestre Hitz destacou há pouco um momento do game que o deixou absolutamente perplexo. A esta altura, estimo que ele já esteja quase no final do jogo e, portanto, batendo a cabeça na parede perante os momentos absolutamente impactantes engendrados por Kojima em MGS4.

Poderia ficar aqui falando como o sistema de jogo é legal, as camuflagens bacanas e coisa e tal. Mas isso é só a embalagem do presente, o laço bonito que o enfeita – o que importa mesmo é a história. E neste quesito MGS4 não decepciona. Não é apenas tudo que fora prometido por Kojima, mas também realizado de maneira esplendorosa, instigante, cativante, respeitosa. Em suma, MGS4 é uma verdadeira homenagem. Suas nanomáquinas transpiram sangue retrô e verdadeiro apreço por quem acompanhou todo o roteiro desenvolvido durante mais de 20 anos a saga.

Vivi apenas metade disso. Minha jornada ao lado de Snake começou no mesmo que lugar que a maioria dos fãs atuais do herói, presumo eu: Shadow Moses, no primeiro Metal Gear Solid, em 1998.

Daí em diante vieram os episódios posteriores, todos apreciados mais de uma vez em momentos distintos do mercado de games, da política mundial e, claro, da minha própria vida. MGS4 não foi apenas uma jornada de encerramento, um mero desfecho. Terminar a batalha (rá!) ao lado do Velho Cobra foi uma experiência imensamente nostálgica, momento máximo de relembrança.

Será que videogames podem mudar nossas vidas? Confesso que ainda não me decidi quanto a isso, mas eles certamente se tornam parte integrante de nossas vidas a ponto de se confundir com elas próprias. MGS4 não foi apenas um passeio pelo túnel do tempo da batalha pós-moderna concebida por Kojima, mas também oportunidade de trazer à tona antigos sentimentos, rememorar passagens da minha vida que de alguma maneira estão identificadas com a batalha contra Psycho Mantis, o esconderijo na primeira caixa de papelão, a trava de segurança não retirada da arma, um rapaz andrógino destruindo robôs gigantes, um caolho enfrentando uma moça num campo de flores e outros tantos acontecimentos.

Não apenas isso, é também ponto final em vidas e problemas que acompanhamos durante todo esse tempo. Muito mais do que qualquer novela. Sentimentos cultivados, percepções arraigadas há muitas temporadas. Devo estar sofrendo ainda os efeitos colaterais da inundação de fanboyismo extremo, mas após acompanhar a longa seqüência final (estimo em cerca de 1h20m, depois tentarei cronometrar mais precisamente) e digerir superficialmente todo o volume de informação os sentimentos que sobram são de satisfação e gratidão.

A bem da verdade, Kojima poderia ter parado tudo em qualquer um dos MGS que eu já me consideraria feliz. Satisfeito também se parasse em MGS1, um pouco frustrado (mas compreensivo) com MGS2 e surpreso e emocionado com MGS3. Todavia, MGS4 amarra e expande isso tudo, inflando como um balão e estourar numa bela chuva de fogos de artifícios. Bonito e efêmero. Fim.

Confesso que me considero extremamente privilegiado com oportunidade de ter a experiência de MGS4 logo no lançamento e após viver quase em plenitude a franquia (faltou MGS: Portable Ops e terminar os dois de MSX que ficaram pela metade). Só assim posso dizer sem hesitar que agradeço a Kojima. Tal qual Snake, ele cumpriu a missão que o designaram e pode partir para outros projetos, novas idéias e não mais carregar o fardo da série MGS e sim ostentá-lo como um troféu e uma obra de vida.

Posso estar exagerando. De fato, sinto que de alguma maneira estou extrapolando um pouco algum tipo de limite, mas acho que isso denota o poder de persuasão das cutscenes quilométricas e todo o mundo criado por Kojima – ainda mais que não escondo que sou rabugento e crítico em demasia; Street Fighter IV que o diga. Porém, sinto que não poderia deixar esse momento passar batido.

Who are the Patriots? The La-Li-Lu-Le-Lo? Metal Gear? Todas perguntas relegadas ao passado, respondidas por MGS4. Não é apenas o fim de uma saga ou da batalha de um guerreiro, mas praticamente de toda uma era para os videogames e quem os acompanha assiduamente.

 

8 Respostas para “Gratidão a Kojima”


  1. 1 Igor 03/07/2008 às 2:49 am

    Caralho, eu escrevi um comentário GIGANTE, e acho que fechei a janela antes de mandar… ¬¬

    Belo método de tortura à distância, que vocês desenvolveram.

    Por um lado me deixa feliz, sei que o jogo cumpre o que se propõe. Por outro, eu não estou agüentando mais ficar sem jogá-lo.

    “Now Snake. Make me feel alive again!”

    O único traço de felicidade que eu tenho agora é devido a Chrono Trigger DS, esse sim irei jogar! :D

  2. 2 Fabão 03/07/2008 às 9:35 am

    Linda homenagem, Mestre Pranda. É interessante observar ainda como a obra foi planejada desde o início, como a intensidade das emoções é controlada por Kojima e como ele construiu o efeito alcançado na longa cena derradeira. Desde o primeiro trailer e na mensagem central martelada à exaustão antes do lançamento, a intensão era potencializar a cena final. Ainda que percebamos a luta para explicar e alterar fatos já ocorridos, as soluções encontradas foram mais que satisfatórias na maioria dos casos, e excepcional no caso de Liquid Ocelot, penso.
    Como bem colocou, acaba aqui uma era, e só o que posso dizer é… Bravo!

  3. 3 guilhermefuoco 03/07/2008 às 12:45 pm

    Eu sou daqueles que curte ainda o Metal Gear do Play 1!!

    Que nem o Igor disse:

    Belo método de tortura a distância!!! kkkk

    abração

  4. 4 geraldofigueras 03/07/2008 às 2:59 pm

    Tá Pranda, tá, deu. Comprei hoje o MGS4. Chega. Vocês venceram!

  5. 5 Vike 03/07/2008 às 9:26 pm

    Caramba, estou no ato 3 e já fiquei babando no final do ato 2, TENSO.

  6. 6 Pablo Raphael 04/07/2008 às 8:07 pm

    incrivel como a gente tende a escrever bonito qdo fala desse jogo. :)


  1. 1 Um jogo. Uma série. Uma inspiração. Enfim, a arte. « Hadouken Trackback em 18/07/2008 às 2:42 am
  2. 2 Metal Gear Solid ganha mais um fã « OverLine Trackback em 24/08/2008 às 9:49 pm

Deixe uma resposta




Baixe já!

banner_turnabouthadoukast

Twitter

RSS

Categorias

Parceiros

bannerlateral_continue bannerlateral_sfwebsite bannerlateral_goluck bannerlateral_girlsofwar bannerlateral_cej bannerlateral_gamerbr bannerlateral_nintenerds bannerlateral_gamerlifestyle bannerlateral_faca brawlalliance_banner_copy noresetbanner pressstarpublishing_banner bannerlateral_consolesonoro bannerlateral_zeebobrasil bannerlateral_snk-neofighters bannerlateral_gamehall bannerlateral_nonuba-v5
hadoukeninenglish hadoukenenespanol hadoukenenfrancais hadoukeninitaliano hadoukenindeutscher hadoukenjapones

SocialVibe