Por Claudio Prandoni
O futuro aponta o dedo em riste para o lançamento de Gyakuten Kenji, o tal Gyakuten Not Saiban alardeado pela produtora Minae Matsukawa há algum tempo.
Como maestro Alexei expôs no post sobre a apresentação realizada no dia 20 de abril no Japão, com músicas orquestradas da franquia, lá foram revelados detalhes sobre o jogo, já chamado aqui no ocidente informalmente de Miles Edgeworth: Ace Prosecutor (ou Perfect Prosecutor).
Só para frisar, por enquanto a Capcom ainda não garantiu que o game será localizado, mas aposto um Samurai Dog que isso vai acontecer – assim como com o já confirmado, porém pouco elucidado, Gyakuten Saiban 5.
Logo que anunciaram Gyakuten Kenji entrei no modo Fanboy Limit Break Frenzy, cantando aos quatro ventos o quanto a notícia era bacana e o jogo seria fantástico.
Agora que a adrenalina baixou, novos fatos foram apregoados e as informações absorvidas, confesso que estou um bocadinho preocupado com o jogo. Compilei e comentei aqui minhas principais razões e fiz o mesmo com outros argumentos positivos em relação ao título.
Abaixo as listinhas; depois do pulo minha Cross Examination explicação.
PONTOS NEGATIVOS
- Shu Takumi não está envolvido na criação do roteiro
- Rumores dizem que não haverá partes no tribunal
- Provável reciclagem de muitos elementos dos Ace Attorney anteriores – principalmente músicas e gráficos
- Mudança de estilo de jogo
PONTOS POSITIVOS
- Edgeworth jogável
- Dick Gumshoe jogável
- Dick Gumshoe apontando o dedo!
- Nova personagem misteriosa
Sobre as coisas feias, bobas e chatas…
“Shu Takumi não está envolvido na criação do roteiro”
O principal motivo para minha preocupação e pesquisa aprofundada para a confecção deste post.
Consenso mais do que solidificado entre eu e Alexei: as histórias e personagens carismáticos são o coração pulsante da série Ace Attorney. Eles são o principal motivo para o sucesso e carisma arrebatador dos jogos.
Sendo assim, o cara responsável por eles é a grande mente da franquia, certo? E o tal figura é Shu Takumi (creditado nos games como Shuu Takumi), roteirista oficial das desventuras justiceiras e consenso entre eu e maestro Barros de que se trata de um dos game designers mais underrated de todo o mercado gamer mundial.
E justamente uma das primeiras notícias de Gyakuten Kenji é que o rapaz não estará envolvido na produção do jogo. Uma perda imensa. Lastimável. Preocupante em minha vã filosofia.
Por mais que seja um universo consolidado abrangendo mais de 20 (se bobear quase 30) anos de história, não ter o cara que inventou todos os personagens e entrechos é uma jogada meio arriscada. Provavelmente Takumi está envolvido em GS 5. Pensando por outro viés, até é bacana ele não dividir o tempo entre a próxima incursão e GK assim não divide recursos criativos, tempo e livre e tal pra poder se dedicar e garantir a qualidade do episódio cinco.
Mas que vai fazer falta, ah, isso vai…
“Rumores dizem que não haverá partes no tribunal”
Esse foi propalado recentemente.
Todo mundo já viu que GK terá seqüências externas de investigação, praticamente já tomando como fato consolidado que outras partes se passariam nos tribunais, os grandes momentos da série.
Um dos grandes atrativos de GK seria exatamente a chance de estar do outro lado da bancada do advogado, encarnar o promotor que deve a todo custo tentar conseguir o veredicto “O senhor será considerado culpado”.
Se os boatos se concretizarem e realmente não houver tal parte, muito do charme se esvai. É quase como um Mortal Kombat sem fatalities…
“Provável reciclagem de muitos elementos dos Ace Attorney anteriores – principalmente músicas e gráficos”
Todo review comenta: “este novo Ace Attorney reaproveita o visual dos anteriores”. E quase todos adicionam: “mas isso não tem problema, pois o que importa são os roteiros e personagens carismáticos”.
Contudo…
É lógico pensarmos, meritíssimo, que se GK não terá a participação do roteirista Shu Takumi, os elementos visuais e sonoros ganham grande importância! (ao menos é isso o que Mia falaria num tribunal).
Pelo que deu pra ver do trailer (assista a ele logo abaixo) revelado na apresentação Gyakuten Meets Orchestra 2008, diversos personagens das antigas aparecerão – Wendy Oldbag, o menino fanático pelo Steel Samurai, Adrian Andrews, o policial Meekins e por aí vai. Resultado: um festival de sprites reutilizados. Extremamente compreensível, porém inegável o fato de que tira certo frescor do game – confesso que Trials and Tribulations parece ter pra mim uma finíssima camada de mofo por conta dessa prática.
“Mudança de estilo de jogo”
Se um dos pilares que sustenta a série PW é a ótima roteirização, óbvio que a maneira como tais histórias são contadas pesa muito.
Esse aspecto deve sofrer bastantes alterações também com a mudança de perspectiva. Sai a típica visão em primeira pessoa nas investigações, entra a ótica em terceira pessoa, na qual visualizamos e locomovemos o personagem em tela.
Além disso, algumas fotos mostram a dupla Edgeworth + Gumshoe, outras apenas um ou o outro isolados. Será que alternaremos no controle entre eles? Ou seria um estilo de jogo à la Lost Vikings, em que podemos trocar livremente entre os personagens, sendo que cada um possui habilidades específicas úteis para cumprir determinadas tarefas? Edgeworth poderia ser melhor para resolver assuntos lepidamente na lábia, ao passo que Dick seria melhor em problemas que exigem força bruta – ou um detector de metais feito de maneira artesanal…
Pode ser saudável, ou não. Depende da excelência da execução. Espero que Minae Matsukawa se envolva de alguma maneira na produção. Até agora, constam como diretor e produtor do game Tsuyoshi Yamazaki e Motohide Eshiro, respectivamente, dois rapazes pouco experientes em cargos tão importantes.
Eles podem até fazer um bom trabalho, mas a evoco novamente ausência do Shu Takumi – pode fazer muita falta mesmo.
…
Chega de rabugentice. Chamo agora à bancada das testemunhas os insípidos argumentos positivos que consegui reunir em relação Gyakuten Kenji.
“Edgeworth jogável”
A família von Karma é inesquecivelmente assustadora, Godot cativa pelo mistério e excentricidade, os irmãos Gavin possuem personalidades marcantes e Winston Payne é hilariamente hilário (o que é aquele grito de Objection!).
Contudo, coloque o dedo aqui que a casinha vai fechar: Miles Edgeworth é o promotor mais marcante, o clássico, o que traz à lembrança casos escabrosos e situações absolutamente emocionantes.
Assim, ter a possibilidade de assumir o controle do introspectivo rapaz é no mínimo empolgante. Claro que pode acabar tirando um pouco daquela arrogante e intrigante aura intocável que ele carrega. Ou não…
“Dick Gumshoe jogável”
Winston Payne reina supremo no panteão de figuras engraçadas da série Ace Attorney, mas o título não vai sem uma boa briga.
O detetive trapalhão Dick Gumshoe protagoniza depoimentos mais furados que peneira, diálogos e situações das mais gargalhantes (me abstenho de comentá-las para evitar mais spoilers do que já fiz).
Poder partilhar de ainda mais tempo ao lado ou no controle dele é algo difícil de recusar.
“Dick Gumshoe apontando o dedo!”
O momento máximo da série. O clímax do game. O dedo em riste. O olhar compenetrado. As cordas vocais de aço reverberando ao som do pedido de objeção.
Nicky boy nos ensinou. Edgey boy retrucou. Tantos outros deram suas versões e agora o Mr. Scruffy Detective ganha sua vez.
Fantástico!
“Nova personagem misteriosa”
Conhecer novas pessoas em PW é sempre um prazer. No mínimo proporcionam risadas deliciosas perante a criatividade aparentemente sem limite de Shu Takumi.
Entretanto, quando uma figura inédita é apresentada no final de um trailer de um próximo episódio, quer dizer que ela é realmente importante. Do tipo que esconde segredos cruciais, que preenchem lacunas, apontam para novos mistérios. Enfim, acrescentam pedaços nutritivos ao arco de histórias engendrado pela trilogia Wright.
Será que isso vai ser cumprir em Gyakuten Kenji? Estaria sendo Seria excelente!

A patota responsável por Gyakuten Kenji: acima, da esquerda para a direita, o designer de personagens Tatsuro Iwamoto, o diretor Takeshi Yamazaki e o produtor Motohide Eshiro. Abaixo, Miles Edgeworth (sério?), a mina misteriosa com a chave do mistério (rá!) e o detetive Dick Gumshoe (hey, pal!)




























Whoa, que senhor texto!
Confesso que estou menos cético, no entanto. Vejamos…
Sobre o não envolimento de Shu Takumi: manja aquela história de se “fazer escola”? Por que o disciplo do Takumi faria mal? Volte atrás e pense na quantidade de sequências nas quais os disciplos assumiram e fizeram um SENHOR trabalho. Até com Super Mario isso acontece. Não fico muito alarmado não. Além disso, Tatsuro Iwamoto não chegou a desenvolver personagens para Okami?
Ausência do tribunal: HOLD IT! Eu aposto com quem quiser, o quanto quiserem: o tribunal estará presente. Essa série sem um tribunal? Só se depois fizerem Super Mario sem pulos. TAKE THAT!
Reciclagem: agora sim, concordamos. Já reciclaram DEMAIS. Deram uma polida melhor em Apollo Justice, mas ainda assim reutilizaram muitos elementos. Mas pelas fotos divulgadas até agora, Ace Prosecutor parece nascer do zero, e até que estou confiante nesse aspecto. Por favor, eu quero um juíz novo.
Mudança no estilo de jogo: sinceramente? Mantendo o jogo dividido entre investigação e tribunal, mas fazendo da primeira parte algo mais interativo e, perdoe-me, “jogável” (que é o que parece com a perspectiva em 3ª pessoa), é o que eu sempre quis. Nunca fui fã das investigações, e acho que o forte da série sempre foi no tribunal.
Do resto, achei a nova personagem sexy.
Puts, você levantou alguns pontos realmente preocupantes, Pranda.
Acho que ao ouvir a noticia, o primeiro sentimento foi de achar “Um PW só que com o Edgeworth!!” Mas fazendo alguns brainstorms, dá pra perceber que não será isso (e talvez, nada nem parecido com isso).
Continuo com minha (batida) comparação: Para mim, esse será uma espécie de Pokemon ranger da série. Mas não confudam com o Mysrtery Dungeon, pq este é podre. O Ranger não é maravilhoso, só é diferente…
Heresia, gajo! Perfect Prosecutor is teh rox!!!!!!!!!1
“Shu Takumi não está envolvido na criação do roteiro”
Assino embaixo no que o Geraldo falou. Sem dúvidas o Takumi é o cabeça da série, mas há gente boa também envolvida na produção que certamente aprendeu muito com ele.
“Provável reciclagem de muitos elementos dos Ace Attorney anteriores principalmente músicas e gráficos”
Até toleraria gráficos reciclados, mas não músicas. Há diversos compositores da Capcom de extremo talento a disposição, sem falar do mestre Noriyuki Iwadare para fazer faixas novas – claro que remixes seriam bem-vindos. Para falar a verdade, até estranhei o fato de o concerto não mostrar ainda alguma composição do Gyakuten Kenji. Seria bacana.
“Dick Gumshoe jogável”
O Edgeworth é sensacional, mas o Gumshoe é absolutamente impagável. Talvez o elemento mais promissor do jogo.
No mais, alguém sabe em que momento da série que a história do Gyakuten Kenji passará?
Realmente, mestre, uma falha de minha parte não elucidar exatamente quando deve se passar o jogo. Pelo que apurei, ele ocorrerá antes do Trials and Tribulations – e parece que vai ter uma parte acontecendo depois também.
Se isso se confirmar, farei altas objeções ao nome Perfect Prosecutor, que será uma verdadeira mentira.
Agora, se ele se passar antes do primeiro Ace Attorney aí é outra história.
Isso é um fato curioso. O mais lógico seria que se passasse em início de carreira, porque na série PW o Edgie-boy é fodão, com ares de imbatível, e acharia estranho essa característica para o jogador. Fui claro? Acho que não, mas to com a cabeça cheia.
O lado ruim seria a ausência do Fênix Wdireita, mas daria pra explorar o aprendizado com o Von Karma. Por sinal, eu tenho medo do Von Karma pai, apesar de que chicotear rlz!!!!!!1